quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Seu Tião, um homem simples mas marcante para quem o conheceu.

 

Sebastião da Silva Fortes
16/12/1925 - 23/10/1983


 Minha amiga de infância Sônia Maria, constantemente me desafiava cobrando para escrever sobre meu pai, sempre relutei, pois seria difícil falar de uma pessoa que se admira e idolatra não me sentia bem, mas após muitas insistências joguei a tarefa para ela. Pedi que escrevesse um texto, daí eu complementaria.

Desde já agradeço a todos que colaboraram

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Tião um Artista Anônimo

                                          por prof. Sonia Maria 

Sonia Maria 
 Numa tarde destas de quarentena veio um pouco das lembranças da minha infância aqui no Bairro de Realengo.

 Eu morava com a minha família próximo à antiga Rua Oliveira Braga, hoje Rua Prof. Carlos Wenceslau. E lá morava o senhor Sebastião da Silva Fortes, o seu Tião como era chamado por todos que o conhecia. Seu Tião morava com sua esposa Zilda e seus dois filhos, Júlio e Luiz. Nosso querido administrador do Pró Realengo, o Luiz Fortes.

Um eterno brincalhão. Martelo
 talhadeira e Serrote pra cortar o
 bolo e a esposa entrava na dele
     O Luiz herdou do seu pai o amor pelo bairro de Realengo e o gosto musical. O Júlio herdou um
pouco da sua arte, costurando as famosas calças Jeans, pois muita gente o procurava pra ele dar um jeitinho nas bainhas e na boca sino das mesmas. Enfim, ele transformava as calças jeans como ninguém. E a Dona Zilda mãe e uma mulher maravilhosa...

25 anos de casados, tem bolo?
 corto com Serrote.
   Seu Tião era muito amado pela criançada e por todos que o conhecia pelas suas historias e bom humor.

   Luiz teve a sorte de ter um pai que era um artista plástico e amado por muita gente.  O seu dom artístico era nato e nem ele e nem as pessoas que admiravam seu trabalho na época se davam conta da importância do seu Tião no bairro.

    Eu e minhas irmãs gostávamos de vê-lo costurando, criando na sua incrível e simples máquina de costura. Nela a magia acontecia... Fazia botas e bolsas de couro, fantasias, e etc...

 Ele era um apaixonado pelo Carnaval e pelas Festas Juninas. Nestas festas ele criava fantasias e

enfeites inéditos. E todos ficavam extasiados com tanta criação. Seu Tião passava muita emoção e amor em tudo que fazia.

Criava fantasias de mascarados jamais vistas e fazia fantasias em duplicata para enganar os amigos, pois achávamos que era ele que estava ali mascarado e de repente ele aparecia sem fantasia. A criançada saía correndo... Pregava cada peça!!!!

E enfeitava as festas juninas com estrelas e balões feitos por ele.

Como todo artista seu Tião era um sonhador e muito amigo das crianças. Nós gostávamos de ouvir suas histórias de balões que iriam subir tal dia e hora e ficávamos ali esperando na hora marcada de olho nos céus de Realengo. E não é que subia mesmo??? Na época os balões eram muito bem elaborados e artísticos. Lindoooos!!!!!

   É bom dizer que nesta época não era proibido soltar balões.

   E o senhor Tião ficava feliz ao ver todos admirados com suas criações e  por seu trabalho que ele fazia por prazer.

   Enfim, pra que venha mais Tiões, que resolvi trazer um pouco da história deste homem simples que viveu e amou o bairro de Realengo. E para que os leitores deste blog conheçam a história deste artista anônimo, coincidentemente pai do criador deste espaço.

   Enfim, na minha concepção e eu acredito que aqueles que o conheceram concordam comigo, que o seu Tião faz parte da história de Realengo.

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Como disse nã queria escrever sozinho, então me ocorreu de também pedir a parentes e amigos que conviveram com ele para darem suas visões.


A coisa foi longe demais, desculpem pelo tamanho do texto, e olha que não peguei depoimentos de muitos, que poderão nos comentários abaixo se expressarem.

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Arte na madeira (10 cm de altura.) 
do Luiz

Lúcia Fortes Fialho

O que eu me lembro do "Tio-Tião" é que ele era uma pessoa incrivelmente maravilhosa, como muito bom  gosto musical.
Que ele e meu pai (Alcides) se entendiam muito bem com as óperas e com as músicas clássicas. Mas confesso que manualmente devido morarmos longe, não sei muito, mas lembro das máscaras de carnaval maravilhosas, cada uma mais bonita que a outra.

Não conheci outras aptidões, mas como tio ele era MA-RA-VI-LHO-SO!!!





Delcius Ojeda Fortes

Zilda e Tião rodeados de sobrinhos
Delcius, Claudia, Lucia, Luiza e Vilma 

Falar sobre meu tio Sebastião, mas conhecido como “Tio-Tião”, lembro-me dele na infância era pequeno ainda, um cara de chinelo no pé, bermuda, camisa aberta no peito, um cara tranquilo, o semblante dele era de uma pessoa boa, nunca vi ele brabo, sempre tinha uma brincadeira um sorriso. Uma pessoa do bem. Como eu era muito pequeno e os meus pais se mudaram do Rio, eu perdi alguma coisa da minha vida do convívio com Tio-Tião mas o que lembro da minha infância é isso.

Também na sapataria, trabalhando, colocando sola em sapatos, eu ficava olhando para ele, e sempre tinha um sorriso bonito, um cara do bem.

Zebrinha adaptada posteriormente.

Aí como eu disse por conta de meu pai (Vinícius Fortes) ser da Marinha éramos sempre transferidos. Aí perdi um bom período de convivência e quando voltei a conviver com ele era a mesma pessoa, só que envelhecido aquele jeitão o mesmo jeito com chinelo e ficava conversando com ele. Ele lendo, comendo e falando comigo (acho que o almoço levava uns quarenta minutos a uma hora. Tem um cara que faz a mesma coisa, come do mesmo jeito que ele [não sei quem é?])! Também acompanhei ele nos últimos dias, estive lá no hospital é isso, só lembranças boas.

Um cara tranquilo, um cara bom em paz. Falava com todo mundo, as pessoas passavam na rua, oi Tião, bom dia Tião, com vai Tião, sempre respondia com um sorriso.

Lembro de um balão ele me disse esse vai subir e desaparecer um outro no formato de despertador...e muitos outros, uma festa, realmente o Tião marcou história em Realengo.

Um cara bom!

Por Claudia Fortes.

 Falar do "Tio Tião

Luiz, Tião e Zilda.
" é incrível.

Eu o peguei ainda quando bebia pisava no meu pé e minha mãe não deixava brigar com ele. Como aquele que fazia o melhor Carnaval, a melhor Festa Junina, era capaz de tirar a roupa do corpo pra ajudar alguém. Aquele que adotou alguém e não fez diferença do seu filho de sangue.

Aquele que me fez sorrir e quando Deus o levou eu estive lá, mas me limitei a ficar distante por respeito.

Aquele que era tão importante que sua irmã Arlete se foi na mesma data que ele se foi.

Sinto muito a sua falta e seria muito FELIZ se meus filhos o conhecessem, mas o que me conforta é saber que lá de cima ele olha por nós.


 Por Roseneide Camacho

Seu Tião!!!! Que pessoa doce, culta, de uma sabedoria que só pessoas com o coração carregado de bons sentimentos pode ter.

Quantas tardes passamos conversando no quintal da sua casa, o que falávamos, de tudo não vou

A boneca dançante resite ao tempo

lembrar, pois o tempo se encarrega de ficar com algumas de nossas lembranças. Mas lembro que falávamos das flores, da Mariápolis, dos trabalhos do grupo S.I.M. e música não podia faltar.

Ah! Seu Tião, eu só tenho a agradecer pelo imenso carinho que permeou o nosso encontro. Eu o vejo neste momento na minha memória, com um leve sorriso no rosto, que maravilha. Quantas coisas boas seu Tião deixou, depois de muito tempo me alegro ao falar dele. Seu Tião é 10!!!

Por Antonio Zuzarte

Juntos com a Familia Zuzarte :
Aparecida, Iza, Maria, Nilda
 
Falar sobre seu Sebastião Fortes é muito gratificante, pelo fato de eu também ter custado a entender que Seu Sebastião e Dona Zilda não eram meus tios biológicos, porque eu achava que sim, devido àquela convivência com a nossa família, meu avô seu João Zuzarte nosso saudoso avô, era um apego muito grande com seu pai, pra mim realmente o seu pai era filho biológico de nossa avó, eu custei a entender essa ficha demorou a cair. Depois eu comecei a puxar de minha mãe Nilda e tia Maria como eles chegaram até agente e começaram a contar que sua mãe era colega de escola de minhas tias, e graças a isso começaram a frequentar uma a casa da outra, sua mãe abraçou minha avó, minha avó abraçou sua mãe, sua me ajudou a cuidar da minha mãe que era a caçula da turma e enfim depois conheceu seu pai e dai seu pai passou a integrar a família. O nosso avô era seu pai pra tudo, chama Tião, cadê Tião, às vezes ele ficava esperando seu pai pra tomar café com ele. Elizenita, faz um café que Tião tá chegando ai! Então lembro que sentava os dois na mesa e ficavam de prosa tomando um café quentinho.  E minha mãe era bem pequena e teve a visita da imagem peregrina da Santa Nossa Senhora de Fatima de Portugal , meu avô tocava tuba na banda, meu pai pegou minha mãe colocou no ombro na corcunda para ela assistir. Ela contava isso muito feliz. Teu pai estava sempre lá puxando um som, , ajeitando sempre alguma coisa e meu avô pegava no pé do teu pai o tempo todo e ambos gostavam era aquela coisa de amor a primeira vista e pra sempre. Teu pai ficou muito triste quando o Velho Zuzarte faleceu, segundo minhas tias, Tião dizia que tinha perdido um pai, a coisa era muito forte. Eu também tive uma experiências com teu pai, minha primeira caixa acústica foi ele quem fez pra mim, eu queria botar um sonzinho melhor na vitrola e ele providenciou.


Teve as situações que o Julinho passou, lembro que os levei. Teu pai muito mal quando deixou-o internado numa casa de saúde em Jacarepaguá e eu vi teu pai de coração partido, pois teve que ficar lá um pouco e enfim a gente veio trocando ideia no carro, ele com aquele choro calado dele que você conhece melhor que ninguém. E minha avó ficou muito chateada quando teu pai faleceu, “Perdi um filho”. Falar do seu Tião é só coisa boa sempre atento, chegando junto. Até eu ficava esperando pra tomar o cafezinho da tarde. Foi uma pessoa muito querida, e quando eu falei que vc estava colhendo depoimentos elas ficaram até um pouco emocionadas., lembrar um monte de coisa que nem dá pra colocar neste relato. Ele marcou deixou muita saudade até hoje os dois, foram criados como irmãos realente parte da família. No natal estávamos sempre juntos, vovó ficava esperando ele chegar, se não chegasse, mandava chamar... enfim com certeza ele tem o Galardão dele lá tanto ele quanto sua mãe deixaram uma lembrança muito boa. Com essa família que era praticamente uma só.

Por Flávio da Costa Terzi 

Sr. Sebastião, conhecido por todos como "Seu Tião", uma fala calma e paciente, de bem com a vida, encarava a vida com simplicidade, e sabia divertir-se e aos outros, e o ápice dessa diversão era no carnaval desfilar nos blocos de sujos em Realengo com seus enormes bonecos.

Nilsa Augusta fantasiada
(arquivo pessoal)

Por Nilsa Augusta (ex vizinha)

Sr Tião sempre nos alegrou com sua arte e agora se eterniza na história de Realengo

 Na foto que cedi para esta postagem usando uma fantasia emprestada por ele e que brinquei no carnaval da Av Santa Cruz seguindo um bloco de rua)


É incrível como papai continua vivo na memória de quem o conheceu.

 Por Luiz Carlos Bastos Fortes

Sem ordem cronológica:

UNIÃO e PATERNIDADE.

Zilda e Tião.    
   Meus pais se conheceram ainda crianças nas salas de aula da escola Nicarágua, quando ele    ficava puxando as tranças de sua futura esposa. Depois de casados e gestações frustradas e trágicas, o destino trouxe uma criança até a porta, então Júlio César Bastos Fortes foi adotado em consenso e oficialmente registrado, um neguinho verdadeiro reinava no lar dos Fortes. Deu muita dor de cabeça ao velho, mas era uma missão e cumpriu da melhor forma.

E quatro anos depois vinga Luiz Carlos (eu mesmo) que deveria ser chamado segundo velha Zilda Bastos Fortes: "José Carlos", nascido pelas mãos da parteira Dona Mariinha e  tendo tia Del' Carmen de ajudante, ouviam Tio Vinícius Fortes gritar, corta com dois palmos. (Será que influencia??)


O REGISTRO: No dia seguinte saíram abraçados, alegres e sorridentes meu pai Sebastião da Silva Fortes e seu cunhado, Tio Nilo Oliveira em direção ao cartório mas no caminho encontraram um bar... alguns goles e brindes pelo neguinho nascido (era pardo, mas me chamava de "Neguinho" até a adolescência), continuaram e encontraram amigos numa birosca, mais brindes e agua que passarinho não bebe pela goela abaixo..

Julio Cesar , Zilda e Luiz
Finalmente depois de cambalearem e tropeçaram algumas vezes, chegaram ao cartório. 

E ....esqueceram o nome.... João? Antônio? Entreolharam-se - O escrivão tentou ajudar: Tinha outro nome composto?... -Os dois lembram, Carlos, mas na frente tinha outro.. ?? ...Calma aí, vou lembrar insistiu Tião.

Entre muitas variáveis uma sugestão do escrivão soou bem: Luiz Carlos... Isso mesmo,  registra aí, decreta seu Tião! Felizes retornam, certamente com algumas paradas (e agora mostrando a certidão), esvaziaram outros copos.


A NOTICIA:  Sofia, Sofia...(que era como ele chamava carinhosamente a minha mãe). Mas velha Zilda ralha com os dois,  falem baixo, pois o José tá dormindo... (eles não se deram conta) e seu Tião todo proza comunica, agora tá no papel, mostrando a certidão (já um pouco amassada) Luiz Carlos tá registrado!

Quem é Luiz Carlos??? Meu filho é José... (Por alguns dias o clima certamente foi pesado... se ela tinha feito alguma promessa pra São José, deu ruim, mas minha mãe não guardava rancor de nada.)




A INFANCIA

Com as Irmãs Nilsa, Jurema e Arlete
: Meu pai filho de Antônio e Margarida Fortes, irmão caçula de Nilsa, Arlete, Jurema e Vinicius Fortes foi criado em Santíssimo mas ainda menino veio para o Realengo, andava de trem (fazia entregas pra minha avó) e me contou que não sabia ler, esticava o pescoço pra ver as fotos nos jornais do passageiro ao lado. Um dia um deles perguntou alto pra todo mundo ouvir o quê estava escrito? ...O menino Tião, não soube responder... Mas doeu lá no fundo, pois dai em diante decidiu não passar essa vergonha novamente.
O menino Tião
em Santissimo
.


Aprendeu e lia de tudo, aprendi a gostar de ler com ele, eram gibis, livros, histórias de "faroeste" , comprávamos ou trocávamos 3/1 nas feiras de Realengo, um outro tio o Rubens Lima , nos dava depois de ler, seus exemplares da "Seleções  Read Digest" da qual era assinante e com essa leitura estávamos sempre atualizados com o mundo, mesmo ainda não tendo TV. Lembro que lá em casa tinha um importante livro e que sempre insistia para consultarmos era um dicionário (ele chamava de pai dos burros).



Tinha a mão boa para plantas.   
 
Meu pai sempre me contou de um filme sobre um pescador e um dia achou o livro que contava esta historia e me deu de presente. “ O Velho e o Mar de Ernest Heminghway“ e mantive a trtadição e também dei ao seu neto Pedro Laport Fortes o  mesmo livro.

Amava esportes, mas não tínhamos TV ainda, mas os amigos, (e como ele tinha amigos) deixavam ele assistir sua paixão, o "boxe", entendia, vibrava, assistíamos na casa de dona Deolinda  , pertinho do colégio Souza Lima, voltávamos tarde da noite...ele vinha feliz, também era fã de corridas de carros assistíamos F1 torcendo pro Fittipaldi, depois Piquet, e um tempo depois (quando a TV não passava só o rádio transmitia - era paixão!) ouvimos que um moleque chamado Airton, estava dando show nas categorias de base e certamente iria longe.


Religiosidade:
Era Católico fervoroso, membro dos "Congregados Marianos", mas numa procissão de rua, ele estava carregando o andor de NSa. Senhora da Conceição e uma chuva despencou de repente, não ficou um fiel pra contar a história até o Padre foi pra baixo da marquise. Meu pai bradou: Povo sem fé... Daí em diante era a igreja lá e ele aqui.... Mas mesmo deixando de ser praticante, anos depois cultivou uma grande amizade com o padre Lessa e com as freiras, as quais se utilizavam dos seus serviços diversificados. Lembro que tínhamos um quadro lindo em casa de São Jorge, por dentro tinha uma luz que era acesa a noite, Lindo...lembro também que ele disse ter visto um milagre atrás do altar da Igreja de Santana (no centro do Rio). ...eu tenho fortes razões para acreditar.


LIÇÕES DIÁRIAS: Papai era cativante, não sei explicar... Incrível nada o aborrecia, eu era pequenino caminhávamos de mãos dadas, e se ele tropeçava (ou martelasse o dedo) dava graças a Deus. Eu arregalava os olhos de espanto, um dia perguntei porquê agradece?

- Agradeço pois tenho pé para dar topada, agradeço por não estar numa cadeira de rodas ou de muletas. Eles sim, não podem tropeçar. Então me sinto abençoado (umas das lições que carrego até hoje comigo). "Pequenas coisas que parecem ser banais devem ser valorizadas."

Meu pai não era de nos bater, era adepto do dialogo mas mantia atrás da porta um chicote (assustador) confeccionado por ele mesmo, que se eu senti na pele foi no máximo duas vezes.




Adorava futebol torcedor do América, jogava bem e dizia ser bom goleiro, mas só "calibrado", chegou a fazer teste num grande clube (não lembro qual) mas sem poder tomar uma branquinha, não pegou nada.

Esse vício, junto com o cigarro (contribuíram para sua partida para outros mundos) que começou ainda criança pois adorava balões, fazia de todos os tipos, e para acender as buchas, gastava muitos fósforos, e com o cigarro na boca acendia mais rapidamente (chegou a fumar 4 maços por dia). Trabalhava num depósito de bebidas da Antártica ao lado de nossa casa, mas uma complicação no coração obrigou a se aposentar por "invalidez". A respeito dos balões ficou alguns anos sem fazer ou solta-los, estava triste alguém próximo espalhou que um balão feito por ele no formato de caixão funerário (com duas buchas) foi agouro pois dias depois sua mãe Margarida vem a falecer num acidente, pisoteada por vários cavalos no bairro de Campo Grande, (ela ia levar o meu irmão Júlio, mas não era a hora dele) demorou a se recuperar confessou um dia (mas nao fez mais caixões). Gostava realmente de soltar balões com hora marcada avisava antes, tal hora vou soltar um balão relógio com hora marcada (três horas) lembro de um na copa de 1970, na hora que ia começar o jogo do Brasil x Itália, afirmava, ele vai voar baixo e cair longe (estudava a bucha com tal precisão que ela não queimava rápido nem forte.) Seus balões com diversos formatos eram facilmente reconhecidos.

 

Bola da copa de 50
MUITAS HABILIDADES: Essa aposentadoria precoce, lhe proporcionou tempo para suas múltiplas habilidades, .batiam no portão: Seu Tião preciso podar uma árvore, ele ia,... meu ferro de passar está ruim, ele resolvia, também era estofador (o que lhe garantia uma renda melhor para casa) costurava com precisão e ensinou a profissão ao meu irmão, no quartel aprendeu a profissão de sapateiro, confeccionava também bolas de futebol (a mão), tinha orgulho de dizer que fez bolas pra Copa de 50,  para a fabrica SUPERBALL, mas não impediu que minha mãe trabalhasse fora, e também se aposentar feliz da vida.

Os vizinhos sempre pediam para ele ajudar seus filhos para confeccionar maquetes para os trabalhos escolares, e eram elaboradas ele não se contentava com o simples. As meninas lhe chamavam de tio antes disso virar moda. E como ele tinha sobrinhas. Tratava como filhas pois sempre quis ter uma e não foi agraciado.


Piranhão no carnaval eu com a boneca dançante

Meus brinquedos a grande maioria eram confeccionados por ele,  e eu com a boneca dançantecarrinhos de rolimã, pião, patinete, futebol de pregos, petecas, skate (um dos primeiros da Zona Oeste, viu numa revista e fez igualzinho), pipas ele fazia de todos os tamanhos e formatos. Pipas que cabiam na palma da mão ou outras do seu tamanho com rabos de panos. Decorava festas juninas, fazia caricatura em cocos secos, esculpia em pedaços de madeira, bolava alegorias ou fantasias exóticas amava carnaval, o normal não lhe atraia.

Velho Tião não teve estudos ou diplomas, aprendeu tudo com a vida, grande observador se arriscava em várias empreitadas e não me recordo de reclamações de um serviço mal feito. Era um pai presente pois aposentado tinha tempo livre pra nós, jogava bola conosco, soltava pipa, ensinava jogos e brincadeiras nas ruas, fazia perna de pau onde víamos todos do alto, telefones de lata, costurava panos compridos enfiava serragem e um arame que de noite na penumbra parecia uma cobra...ah,ah como assustamos muita gente uma vez ganhou uma máquina de filmes manual que passava a noite para alegria da criançada. Na casa dos fundos morava minha prima Claudia Fortes, que ganhou um balanço só seu dentro da varanda.


Bonecão no Bloco das Piranhas 
Bloco das Piranhas: Quando uns sobrinhos postiços, (Jõao, Leoncio, Leó e Tuquinha todos “da Matta”) estavam fundando e organizando um bloco de Carnaval no bairro, eles pediram para ele criar algo para ir à frente do bloco. Era o bloco das Piranhas de Realengo que teve o primeiro "Bonecão de Carnaval" claro que ele deve ter visto em algum lugar só adaptou com as bonecas de peitos amostra (fez duas). Uma loja chamada "Bazar da Moda" encomendou (para fazer marketing), também um bonecão, mas como Papai Noel, imaginem um bom velhinho de três metros de altura pelas ruas de Realengo, era alegria da criançada.

Obs: Essas armações eram feitas de varetas de bambu e arames, e duraram bastante tempo, e posteriormente eu adaptei com outros personagens.

 

Minha mãe visivelmente estava mais feliz com seu homem sóbrio.

 Os vícios foram largados, o cigarro tardiamente, mas o alcoolismo eu ainda era criança, voltávamos de um passeio de Sepetiba e no ônibus minha mãe sentou comigo ao colo, e meu irmão, sentou ao lado. Mamãe pediu: Dê o lugar pro seu pai. - E Júlio retrucou "Eu não mandei ele beber". Todos ouviram, daquele dia em diante meu pai nunca mais bebeu. Entrou pro AA, colecionava as fichas coloridas o seu orgulho, cada côr era um ano, etapas conquistadas, se sentia um vencedor. Tinha tamanha segurança que chegou a trabalhar num Bar na esquina de casa do "Seu Nestor". E resistia a tentação, fazia caricaturas em coco e dentro colocava aguardente os clientes amavam sua arte e saboreavam o mel.


Tinha uma capacidade de desenhar Incrível, adorava música, de todos os ritmos, bolero, forro, samba, samba de breque e o pop, etc, adorava cantar ou assobiar no chuveiro, e hoje eu analiso, como ele com tão pouco estudo ou cultura, ouvia óperas, músicas clássicas e parecia entender e muito... como? eu não sei. Ganhamos do tio Alcides Fialho uma vitrola num móvel enorme, pois comprou uma menor, o radio captava até estações estrangeiras. Assistia domingos pela manhã na TV, concertos para a juventude, comprava discos de óperas e orquestras, anos depois meu irmão trouxe outros sons para casa, ampliou seu gosto musical que já era eclético, ouvíamos de tudo em casa do Clássico ao Rock, uma democracia.

letra do Dudu - Mais que um Amigo


Um de seus últimos trabalhos foi criar cenários e adereços para apresentações teatrais do grupo S.I.M e recebeu uma bela  homenagem póstuma do professor Dudu, que compôs (na missa de sétimo dia) uma versão de "Don't Cry For Me Argentina" da peça Evita e que virou " Mais que um amigo". Nós do grupo S.I.M. tínhamos um espetáculo na semana seguinte com ingressos vendidos antecipadamente e o teatro não tinha mais datas livres para remarcamos. Foi uma noite de muita emoção.  a letra está ao lado.




Seu-Tião brincava dizendo: Pode me chamar de De Millus o amigo do peito

Um ser de luz, obrigado por tudo.

 

abaixo um escrito meu quase um mês apos sua partida.

fragmentos sobre meu pai

Pequenas lembranças

# Me disse que fez uma fantasia de caveira só pra sair de noite, os ossos eram pintados com tinta florescente, imaginem seu efeito a noite.

# Fazia doces e sucos deliciosos.

# Gostava de bailes do Grêmio, onde era sócio e conselheiro. Quando fiz 14 anos começou a me levar junto, (menor só acompanhado eu era alto enganava o juizado) assistimos, Jamelão, Orquestra Tabajara, Copa 7, e os conjuntos de covers de sucessos estrangeiros: The Fevers, Os Famks (que viraram Roupa Nova), os Pholhas, Aeroporto, Casanova (a cronner depois ficou famosa "Rosana" e muitos outros.

# quando podia($), comprávamos discos no centro ou em Madureira, até fazer um serviço de carpintaria numa nova loja de discos em Realengo e que depois veio a ser também meu primeiro emprego.(acredito que ele deu uma força)

# prestou serviços diversos ao Dr. Manoel Gomes (médico referência no bairro na época), tanto no consultório quanto na sua casa e  com o qual tinha boa amizade

E por fim. Em seu velório eu e minha prima Luíza Fialho, conversamos e concordarmos que um ser alegre como ele foi, não merecia uma despedida triste. Todos ao redor concordamos, e decidimos fazer um brinde em homenagem agradecendo por termos tido o privilégio da sua convivência. E assim é feito com todos nossos parentes que partem.

Fim.





















quarta-feira, 11 de novembro de 2020

NO TEMPO DO VINIL! Num balcão de loja de discos

 




NO TEMPO DO VINIL!
Num balcão de loja de discos

Luizinho na Top-Som (eu mesmo)
Meu primeiro emprego... E coincidentemente um local de boas lembranças para muita gente.

Estou falando da Top-Som Foto Discos,  loja de discos e fotos, que ficava na rua General Sezefredo, ao lado da praça Padre Miguel em frente ao ponto de taxi e na época também de caminhões de mudanças.


Ali começou minha vida profissional, tive contato com dois tipos de artes que marcaram minha vida, Musica e Fotos. Fiz muitas amizades e algumas, preservo até hoje graças a Deus.

discos saiam com o selo da loja

 nas capas quanto nos rótulos

Sempre fui apaixonado por musica, ouvia desde criança com meu pai uma variedade de estilos, pois ele tinha o gosto muito eclético (sou igual a ele). Por força do trabalho tinha que colocar para tocar o que era mais apelativo para as vendas, sem vendas, sem lucro, sem salario... e provavelmente sem emprego.

 Luizinho com 14 anos em frente
 a loja - foto Tiãozinho.

Iniciei lá com 14 anos (1974) como encerador do estúdio fotográfico, onde eram tiradas as fotos para documentos. 

E aproveitava para ficar conversando com o balconista na época, Ariovaldo Tadeu. E fui aprendendo a tirar fotos, e também revelar, eu fui ficando, ficando. E por ocasião das férias do Tadeu, os donos, Tiãozinho e Mauro me perguntaram se eu queria ficar cobrindo neste período.  E fiquei super feliz, ia ouvir musica e receber por isso... maravilha!.

Ocorreu de neste mês eu vender mais que o titular da posição, depois analisando com calma certamente calhou de ser um mês bom de vendas, não teria como eu superar um vendedor com mais experiência. Mas eles gostaram, e fiquei como segundo funcionário, mas também na função de retratista e ajudante de fotografo em casamentos, aniversários de 15 anos, formaturas etc... 

Foram anos maravilhosos, conhecia de antemão todos os sucessos que iriam estourar nos rádios, ganhava muitos discos dos divulgadores, além de ingressos para shows, coquetéis de lançamentos, visitas a estúdios nas gravadoras, lembro de ver o Wagner Tiso, na Odeon  (se não me engano em Botafogo) com um aparato de orquestra.

Assisti shows de lançamento de discos das Frenéticas, Novos Baianos entre muitos outros... ingressos para os festivais de MPB, mas um  me dá uma dor de corno até hoje, acabei não indo assistir ao Raul Seixas (lançamento do LP “ o Dia que a terra parou”, era muito tarde na Zona Sul e durante a semana, não tinha como voltar e tinha de trabalhar cedo no dia seguinte.... não se pode ter tudo.

Época boa ganhava um salario mínimo e era feliz e não sabia, não gastava com transporte, (trabalhava no mesmo quarteirão, nem atravessava a rua), almoçava  em casa só tinha despesa com roupa e farras de fim de semana, e até ajudava em casa pagando a conta de luz, pois tava podendo(rs).  O que  sobrava eu comprava muitos discos, claro que diferentes do que escutava todo dia, que eram as mesmas que tocavam no radio e na televisão. Então passei a curtir musicas diferentes, minha mãe dizia “estranhas”. 

MAS QUE UM EMPREGO, ERA A EXTENSÃO DO LAR.

   Tião Fortes (Velho Tião meu pai)
 foto : Luiz Fortes     

Mas o que gostaria de destacar, era a nossa integração, existia a relação Patrão/empregado claro, cobranças na postura, orientavam para não ficar cantando as garotas (era passagem obrigatória de muitos estudantes, Souza Lima, Corsino, Nicaraguá, Gil Vicente, Colegio Paulo Gissoni, Estado de Israel entre outras, depois a Castelo Branco na época ainda Faculdade , era imprescindível  colocar os sucessos, tocar as musicas dos artistas mais vendáveis, etc.

Claro que atendia vários pedidos...as gatinhas queriam ouvir o sucesso...

Mas a amizade com meu pai era anterior a minha chegada a loja, pois foi ele quem construiu o estúdio acima da loja, (velho Tião Fortes era um faz tudo). E essa amizade só foi aumentando, tanto que ele e minha mãe foram padrinhos dos filhos do Tiãozinho Minha mãe foi madrinha de casamento de uma delas. E saíamos algumas vezes aos domingos, para passeios, Paquetá, Mangaratiba, onde acampamos algumas vezes, muitas pescarias e almoços juntos.

Posso dizer com muita emoção era uma continuação da nossa casa.

FORAM QUAE SETE ANOS DE APRENDIZADO.

  Ig. Ns. Conceição- 1979
 foto Wagner Chagas

Trabalhei na Top-Som Foto Discos até ela encerrar as atividades em 31 e maio de 1981 em consequência de um incêndio, que vitimou fatalmente um outro vendedor Edilson (era um domingo e estava de folga ensaiando com o Grupo S.I.M [mas está é uma outra historia]) . Os Bombeiros praticamente na esquina (o quartel ficava a 200m) não tinham água. Muitas pessoas que posteriormente me viam na rua se assustavam... você não morreu ?? tive que explicar isso muitas vezes, passei um bom tempo sem coragem de passar em frente a loja, como disse era como um lar. Mas aos poucos fui superando. Mas aprendi muito, trabalhar com o publico, lhe dá um jogo de cintura enorme, ouvir sem reclamar ( o cliente tem sempre razão), nunca discutir gosto musical, cada um tem o seu e fim de papo. Aturar bêbado e saber que se tocar o que ele quer e facilmente depois educadamente convencer para ele deixar você trabalhar... Era um ponto de ônibus a General Sezefredo na época era mão dupla, tinha ponto dos ônibus, 744, 739, 391 (inicialmente na praça), do 383...todos subindo e descendo. Os funcionários da fabrica de Cartucho (até 1978)se aglomeravam ali, e os soldados também. Era um fluxo de pessoas muito grande, conheci muita gente, e com essa rotatividade e uma péssima memoria, não guardava o nome de muitos, ao contrario até hoje um ou outro me chama e fala que comprava disco lá ou ficava imitando guitarristas ( e bateristas) imaginários na porta.

Ah, e tinha que praticar malabarismo para entender o que o cliente pedia cantando naquele inglês macarrônico... (kkk) ou decifrar o nome da musica escrito em qualquer papel, era difícil, as pessoas ouviam no radio e tascavam no papel o que entendiam... sobrava pra mim.

Essas são boas lembranças, você tem alguma em especial conta aqui nos comentários..

Por, Luizinho  em 10/11/2020

 
Obs: Três coisas aconteceram recentemente que formam uma coincidência enorme.  

1) Encontrei uma foto preto e branca tirada dentro da loja e decidi colorizar ela relembrando as cores que estavam na minha memoria, quatro capas estavam incompreensíveis de se decifrar, então substitui por outras do mesmo ano (1975) e com ela ótimas lembranças vieram a tona. 

2) Tenho me encontrado com os parentes dos donos, principalmente com a filha mais velha do Tiãozinho a Maura, que nasceu no ano que eu comecei na loja.

 3) Encontrei um artigo do blogueiro Marcos Santos, que menciona a loja de discos exatamente nessa época. (segue o link:     http://bocadiurna.blogspot.com/2020/06/rato-de-loja-de-discos-death-on-two-legs.html


Velho Tião, Tiãozinho e Mauro
descrição das fotos:  1) Velho Tião , Tiãozinho e Mauro numa barca a caminho de Paquetá (foto Luiz fortes) 

2) Velho Tião na loja 3) Eu e uma estudante amiga até hoje, Selma Terzi. 4) Zé Russo (dono de outra Loja de discos e eletrônica Jetor Discos onde hoje é a Faculdade São José, Tiãozinho, Luizinho, Mauro e Luiz Carlos Batera (baterista da Banda Black Rio) na casa do Zé Russo onde íamos escutar boas musicas ao fim do expediente sempre que possivél. 5) Lateral da Igreja Nossa Senhora da Conceição. Exatamente a posição que avistava nestes 7 anos . foto Wagner Chagas 1979.


 

Eu e Selma Terzi

Zé Russo, Tiãozinho, eu, Mauro e Luiz Carlos
Zé Russo, Tiãozinho. eu, Mauro e Luiz Carlos

 



sexta-feira, 20 de novembro de 2015

É bonito isso? canta Lilico, respondendo ao Aquele Abraço do Gilberto Gil.

Lilico na capa de seu disco: De Bangu, Realengo , Padre Miguel
É BONITO ISSO? Resposta do Lilico para a musica Aquele Abraço.

Humorista Realenguense, Olivio Henrique Fortes era uma celebridade nos anos 60/70, e criou diversos bordões que eram sucesso na boca do povo. E um deles é a Expressão Alô, alô Realengo, Aquele Abraço!, pois cresceu aqui e participou do Teatro na igreja Nossa Senhora da Conceição, ainda no tempo de Padre Miguel. E compôs esta musica em resposta ao grande sucesso de Gilberto Gil que usou seu bordão sem autorização.


É BONITO ISSO?
-De Lilico

Este samba vai pra todos.
Pra Paulinho Celestino, 
pras crianças que estudam, 
pro Rei Pelé 
e pra Gilberto Gil. (olha o breque)

O Rio de Janeiro continua lindo, você disse, (Lindo)
O Rio de Janeiro continua sendo, você disse, (Lindo)
 Nesse disse me disse, verdade você não disse!
Chacrinha tem talento, nunca foi palhaço,
Você pegou “Aquele meu Abraço”,
Se a Bahia já lhe deu, régua e compasso,
Realengo também deu tudo o que eu faço
Eu com você nunca tive compromisso,
E ao meu povo eu pergunto
É bonito isso?

Alô, Torcida do Flamengo: É bonito isso?
Alô, moçada da Mangueira: É bonito isso?
Alô, moçada da Salgueiro: É bonito isso?
Alô, moçada do Império: É bonito isso?
E Mocidade Independente: É bonito isso?
E ao meu povo brasileiro: É bonito isso?
Foi em Janeiro, Fevereiro e Março que eu lancei lá na TV aquele meu Abraço.
Não é dinheiro, que eu, não ligo isso.
Eu só pergunto as crianças: É bonito isso?
Alô Criança que estuda: É bonito isso?
Alô Santa Catarina: É bonito isso?
E Alô povo de São Paulo: É bonito isso?
Alô Minas Gerais: É bonito isso?
Você me tirou do teu compasso,
A Bahia é testemunha que é meu Aquele Abraço,
Não quero briga, que eu, eu não sou disso,
Eu só pergunto aos baianos: É bonito isso?
Alô Bahia que eu adoro: É bonito isso?
Alô Sergipe, Alô Recife: É bonito isso?
E Alagoas, Paraíba: É bonito isso?
Alô, Espirito Santo: É bonito isso?
Alô, torcida do Corinthians: É bonito isso?
Alô, torcida do Atlético: É bonito isso?
Olha o Breque!

O Rio de Janeiro continua lindo você disse, (É bonito isso?)
O Rio de Janeiro continua sendo você disse, (Tô invocado hoje, legal.)
 Nesse disse me disse, na verdade você não disse!
Chacrinha tem talento, nunca foi palhaço,
Você pegou “Aquele meu Abraço”,
Se a Bahia já lhe deu, régua e compasso,
Realengo também deu tudo o que eu faço
Eu com você nunca tive compromisso,
E ao meu povo eu pergunto
Se É bonito isso?

Alô, moçada de Bangu: É bonito isso?
Alô, povo brasileiro: É bonito isso?
Alô, motorista de taxi: É bonito isso?
Alô, Hélio Ribeiro: É bonito isso?
Alô, Rio Grande do Sul: É bonito isso?
Alô, Rio Grande do Norte: É bonito isso?
Salve Belém do Pará!

Alô, criançada brasileira: É bonito isso?
Comigo não Compadre!
Alô, Caetano Veloso: É bonito isso?
Salve a Gal Costa: É bonito isso?
Alô Roberto Carlos, Aquele Abraço! É bonito isso?
É bonito isso? É Bonito isso?
E Terezinha do Chacrinha ( Olha o Chacrinha buzinando as meninas... )
Continua sacudindo a pança....

(está é a resposta bem humorada do Lilico, ao Samba do Gilberto Gil “ Aquele Abraço, onde usou a sua expressão. Alô, Alô, Realengo, Aquele Abraço!  E não lhe pediu autorização ou lhe incluiu como co-autor...) em tempo: Decisões na justiça foram favoráveis ao Gil.



#Realengo200 anos






segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Benfeitores são eternizados nas pedras da igreja.

Na década de 1960 por ocasião das comemorações do Cinquentenário da paróquia Nossa Senhora da Conceição de Realengo, foi feita uma homenagem a algumas personalidades e instituições benfeitoras da mesma e para perpetuar em agradecimento as suas contribuições, tiveram seus nomes talhados nas pedras laterais que sustentam a frente da Paróquia.  
Muitos passam todos os dias, mas não percebem a homenagem. Claro, sabemos que precisaria ser novamente pintada para dar o devido destaque.
Listamos todos os homenageados abaixo..




PEDRA DA ESQUERDA:

Fabrica de Realengo, Firmino do Passo Alves, Severino Medeiros, Adelino de oliveira, Antonio da C. Ferreira, Banco Nacional de Minas Gerais S.A., Funcionários do mesmo Banco de Realengo, José G. M. Serra e Fampilia, Pedro Pinheiro, João B. Gonçalves, Alvaro F. Bento , Nair de Oliveira Damasceno, José Gomes, Papelaria Chaves, Gerson F. Gameiro, Alfredo Pujol, Belmira A. Amorim, prof. Artur J. Pereira, Francisco Alves, Pia União das Filhas de Maria, Apostolado da Oração, Circulo Operário, Congregação Mariana, José B. Rodrigues e Familia, A. Almeida Barros, Arnaldo Meireles, Carlos M. Ramos, Jose F. S. Barradas, Família Santos Sartorato, Maria da C. Costa, Francisco de Abreu.





PEDRA DA DIREITA:
Francisco Perrone e Senhora, Francisco Silva, Bar Rosa de Realengo, Servando Alonso , Industria Calçados Rogéria, Rafael Vidal, Antero Carreiro, Euzébio G. Andrade, Deputado Ubaldo de Oliveira, Jorge G. de Queiroz, Dr. Guilherme da Silveira, Waldir M Wagner, Banco Lavoura de Minas Gerais S.A., Jarbas G. Couto e Zaira Azevedo, Magazine Aliança, José Jovino dos Santos, Antonio Correa, Farmacia Amorim, Domingos f. Belo, Antonio Duarte, Laboratório Dr. Manoel Gomes,  Elias Haidal Jacobe, Arnaldo Monteiro, Carolina Viana, Pedro Pontes, Elizas Alexandre, Foto Santo Antonio, Padaria Valencia, Eletronica Cidade Nova, José Candido Moreira, Dr. Nilson G. Queiroz, Padaria Central do Realengo, Cap. Arthur D. Fernandes, Prof. Carlos Alberto da C. Wenceslau, Gremio Estudantes de Realengo


Este é mais um resgate histórico da Série “ Conhecendo seu Bairro” criada pelo blog Pró-Realengo

  






terça-feira, 4 de junho de 2013

Villa-Lobos quem diria, já deu aula em Realengo.

Hoje falaremos de outra historia que minha mãe me contava quando ainda era criança: Heitor Villa-Lobos deu aula de musica em Realengo.
Ela contava que ele periodicamente aparecia na Escola Nicarágua onde ela estudava, e reunia os alunos no pátio e ensinava como cantar em corais (canto orfeônico).
E comprovadamente anos mais tarde encontrei este monografia premiada da pesquisadora Ermelinda A. Paz - Heitor Villa-Lobos - O Educador

Pro Realengo: Essas aulas foram realizadas em diversas escolas de nossa região na década de 40, com a intenção de formar um grande coral para se apresentar no Campo do Vasco da Gama e também em Laranjeiras o do Fluminense. Mapas reproduzidos neste estudo feito pela Prof.ª. Ermelinda comprovam com detalhes que as escolas municipais de todo o Rio de Janeiro, participaram destes corais. E Realengo contribuiu com 410 crianças da Escola Nicarágua e Rosa da Fonseca (Vila Militar) cedeu 200 alunos, Getúlio Vargas (Bangu) com 260 alunos, entre outras.
Tudo muito bem organizado com ônibus com local e hora marcados e lanche para todos. 

 Sobre a apresentação.

Foi também em São Januário que ocorreram os corais do maestro Heitor Villa-Lobos, que em 1940 reuniu 40.000 estudantes das escolas do Distrito Federal num coral de canto orfeônico. Naquele mesmo ano, o estádio serviu como palco do comício de 1o. de maio que o presidente Getúlio Vargas anunciou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), as primeiras leis trabalhistas do Brasil. Getúlio usaria durante toda a década de 1940 São Januário como palco de seus discursos.
As demonstrações tinham lugar, geralmente, nos dias da Independência, da Bandeira, Pan-americano, da Musica etc.

D. Mindinha (esposa de Villa), em depoimento gravado no Museu da Imagem e do Som, informa: Villa-Lobos , quando organizava estas demonstrações, era um verdadeiro engenheiro. Ia para o campo e media tudo e organizava tudo, como se fosse um mapa. Regia de paletó e pijama russo, para chamar a atenção. A infraestrutura do SEMA era completa.
Do Mapa Geral das Circunscrições constavam indicações detalhadas feitas pelos professores especializados, como número de alunos, classificação das vozes e repertorio por escolas, de modo a possibilitar uma concentração, em pouco tempo, sem prejuízo do trabalho letivo de rotina.

Na mesma reportagem, lemos a opinião do musicólogo e professor José Maria Neves: "Villa-Lobos tirou proveito de sua relação com Vargas, mas também foi usado pelo Estado Novo, por causa de sua capacidade de organizar concentrações orfeônicas, que serviam aos objetivos do populismo".
Sobre o assunto, também a opinião de Mozart de Araújo, conhecido musicólogo: "Getúlio se utilizou do gênio, do temperamento de Villa-Lobos para reforçar sua ideia de populismo, educando o Brasil pela música".
"A finalidade de Villa-Lobos era interessar o governo em prestigiar a educação musical nas escolas. Ele se preocupava com a educação do povo. Não queria formar músico e sim público." É a informação de D. Mindinha Villa-Lobos, em depoimento prestado no MIS.
"Villa-Lobos era apolítico: sua única política era o progresso da música e da educação musical", disse o musicólogo Luís Heitor Correia de Azevedo. Ainda em depoimento prestado ao Museu da Imagem e do Som, afirma D. Mindinha: "Infelizmente essa faceta de seu talento não foi compreendida. Os seus contemporâneos não entenderam que, ao realizar aquelas concentrações escolares, ele queria despertar na criança o interesse pela nossa música popular e pelas artes. Para realizar esse trabalho, ele deixou ao final de sua vida, de se dedicar mais às suas composições. Villa queria alfabetizar musicalmente as crianças, ensinar preceitos de educação, despertando a responsabilidade de cada uma. Pode ter sido tachado de fascista ou comunista, mas esse era o pensamento dele".
O gigantismo era a tônica dessas demonstrações orfeônicas. D. Mindinha declarou, também, em seu depoimento gravado no MIS (Museu da Imagem de do Som), que algumas chegaram a reunir 42 mil crianças.
No jornal O Globo, encontramos a seguinte observação: “A grandiosidade de uma festa de educação cívica, de arte e fé”. No campo do Fluminense vibrou a alma nacional em expressões inéditas. Além da regência tríplice (a mais suave e doce regência da História do Brasil) dos maestros Francisco Braga, Joanídia Sodré e Chiafiteli, as mãos dominadoras e os olhos hipnóticos de Villa-Lobos, o grande educador brasileiro.
Estiveram presentes o Sr. e Sra. Getúlio Vargas, Cardeal D. Sebastião Leme, professor Anísio Teixeira, Ministro da Marinha, secretários dos demais ministérios, Dr. Amaral Peixoto, representando o interventor Pedro Ernesto, e figuras de grande representação social.”.

Depoimento do professor e escritor Guilherme Figueiredo. (irmão do ex-presidente do Brasil João Batista Figueiredo)

O meu primeiro contato com Villa-Lobos foi quando eu me formei em direito e resolvemos cantar bem certinho o Hino Nacional”.
Nós éramos trezentos e tantos bacharelandos. Então, pedimos ao maestro Villa-Lobos que viesse ensinar a gente. Ele veio um homem enérgico, furioso, cheio de gestos. Exigente, queria a pronúncia exata, o som exato. Dividiu aquela gente toda em barítonos, sopranos, baixos, contraltos e tal, mas saiu bonito, saiu muito bonito, realmente.
Mas eu tinha dele certa implicância, por causa do que fez no estádio do Fluminense, grande manifestação onde reuniu milhares de alunos para cantarem no coral. Não é que eu não gostasse disso, não gostava da homenagem que ele estava prestando a Getúlio Vargas, que tinha acabado de se tornar Presidente da República, ditador. Eu fiquei com muita raiva dele. Hoje compreendo que Villa-Lobos, para perseguir o que queria, aproximava-se de qualquer governo, de quaisquer pessoas e pouco se importava com a atitude de cada um ou com o pensamento e a ideologia. Porque ele tinha uma ideologia própria que não era uma ideologia política. Era uma ideologia, vamos dizer assim, sentimental. Ele era um nacionalista sentimental e um homem convencido de que o Brasil inteiro precisava aprender a cantar.
Achava que a criança devia começar a aprender a cantar desde que começasse a balbuciar as primeiras sílabas. E para que isso acontecesse, era preciso que a mãe soubesse cantar. E depois, quando a criança fosse para a escola maternal ou para a escola pública, encontrasse professores que soubessem ensinar a cantar. E esta foi a principal razão pela qual ele fundou o Orfeão e, depois, o Conservatório de Canto Orfeônico, isto é, para treinar professores que soubessem ensinar canto, música de canto, os princípios da música, a artinha, a harmonia, o solfejo, a música em conjunto. E foi isto que ele fez durante muito tempo. Hoje eu acho que todos os governos que não apoiaram Villa-Lobos cometeram um grave crime contra o país. Nós mesmos não sabemos cantar porque somos de tradição católica jesuítica, tradição pela qual o padre é que canta e os fiéis apenas respondem. E além do mais, o canto até a pouco era em latim, coisa pouco permeável para a maioria dos fiéis que aprendiam aquelas letras sem conhecer o que estavam dizendo. Villa-Lobos queria que todo mundo cantasse coisas em português, cantigas de roda, cantigas de brinquedo, cantigas de cordialidade, cantigas de adeus; ele tem em sua obra uma série de músicas que são para canto, para canto em conjunto. De tudo isso que Villa-Lobos pretendeu fazer, ficou muito pouca coisa. Ficaram alguns professores excelentes, fiéis à obra dele, ficaram alguns cantores, que cantam bem porque ele insistiu nisso. Ficaram alguns poucos conjuntos, como, por exemplo, o de Cleofe Person de Mattos, mas são muito poucos.


Sobre a autora: ERMELINDA AZEVEDO PAZ ZANINI. Professora Titular de Percepção Musical da UFRJ e Professora Adjunto IV de Percepção Musical da Uni-Rio. Livre-Docente em Percepção Musical pela Uni-Rio. Membro Titular da Academia Nacional de Música. Ocupou por concurso a vaga de Professor de Educação Artística - Música - do Município do Rio de Janeiro, sendo lotada na Escola Guatemala, primeiro Centro Experimental do INEP no Rio de Janeiro. Professora convidada de Percepção Musical em Encontros, Congressos, Seminários e Cursos de Férias. Realizou diversos cursos de pós-graduação na Uni-Rio, na UFRJ e na Universidade Nacional de Rosário (Argentina), como bolsista da OEA, MBA em Planejamento e Gestão Estratégica pela Fundação Getúlio Vargas em 2005 e Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia da Escola Superior de Guerra em 2005.
Obteve bolsa de Produtividade em Pesquisa do CNPq, na categoria IIc, de fevereiro de 1993 a março de 1995, na categoria IIb de março de 1999 a fevereiro de 2001 e na categoria IIa de agosto de 2001 a julho de 2003. Lider de pesquisa do grupo Música e Educação Brasileira/UFRJ.
Filiada à Sociedade Brasileira de Musicologia, Associação Brasileira de Educadores Musicais e Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Música.
Além da participação em congressos, encontros, seminários e cursos de férias, como conferencista, comunicante e/ou professora, desenvolve intensa e profícua atividade de pesquisa em música, tendo sido laureada nos concursos de monografias:



Agradeceço a minha mãe Zilda Bastos Fortes, pela belas histórias que me contou. Luiz Fortes