domingo, 25 de outubro de 2026

AS RUAS DO IAPI REALENGO - por Gilberto Rodrigues Pimentel


AS RUAS DO IAPI-REALENGO - Alpha et Ômega 


Gilberto Rodrigues Pimentel

foto aerea da FAB - colorizada por IA

O Realengo no início da década de 40 era um lugar desprovido de recursos, distante de tudo, com clima
hostil, onde prevaleciam temperaturas bastante elevadas, ainda que as noites de inverno pudessem ser amenas e até frias, o que muitos atribuíam a sua situação geográfica, espremido entre o Maciço da Pedra Branca e a Serra do Mendanha. Isolado também, pois somente a existência da Estrada de Ferro Central do Brasil, que dividia o bairro em duas partes bem distintas, garantia uma ligação mais segura e rápida com o centro da cidade. 


(nesta foto de 1934, antes das casas e do   IAPI, )


frente da Escola Militar - foto colorizada IA

Na parte sul desse caminho de ferro, há muito tempo urbanizado, estava a área nobre do bairro valorizada pela presença de importantes organizações militares. Uma delas a Fábrica de Cartuchos do Realengo, principal suporte econômico da região, que ali se encontrava desde o início do século anterior. Havia também a Escola Militar do Realengo, ninho dos futuros oficiais do Exército que funcionou até 1944, quando foi transferida para a cidade de Resende. Época de conflitos mundiais, essa guarnição estratégica da Força Terrestre sempre foi alvo de permanente preocupação para os governantes, em boa parte pelo envolvimento dos integrantes da Escola nos mais graves episódios políticos, destaque para a Revolta de 1922, ou dos Tenentes, que eclodiu nas instalações do Forte de Copacabana. No lado norte do velho subúrbio, quando lá chegamos, começo da década de 40, estava em curso a fundação de um imenso conjunto habitacional, iniciativa do governo Vargas, de caráter social relevante e cujo objetivo maior, porém não único, era o de facilitar a aquisição da casa própria ao sofrido operariado carioca, até então disperso de forma caótica em guetos e morros da cidade, já constituindo risco à segurança do núcleo de poder. Lembremos que o Rio de Janeiro era então a capital do país. Surgia o IAPI, Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Industriários do Realengo. Desde época bastante remota, aquela vasta extensão de terras era um imenso vazio humano, onde a única atividade econômica consistia na criação extensiva de gado bovino para abastecer o comércio de outras áreas. Mas ali também estava localizada a principal área de treinamento das tropas – o Campo do Gericinó – cujos limites se estendiam até as fraldas do Mendanha, valorizando as características de poderosa praça de guerra do Realengo. Lembro-me bem dos gigantescos exercícios de campanha ali realizados diante da possibilidade da participação brasileira, logo depois concretizada, no conflito geral que acontecia no teatro europeu. Ainda guardo na retina as imagens das colunas de Infantaria e da Cavalaria Montada desfilando pelas nossas ruas na direção do campo e do cenário arrebatador das noites que se tornavam dias, efeito das granadas iluminativas lançadas pelos canhões da Artilharia de Campanha. Enquanto isso, também como parte dos preparativos para a guerra, já uma realidade bem visível, no limite leste do recém-nascido IAPI, tinha início a construção de mais um estabelecimento militar, a Escola de Instrução Especializada, com o objetivo específico de capacitar nossos oficiais e sargentos para o combate moderno daqueles tempos. Lá está, ainda hoje, a consagrada EsIE. Esse pequeno resumo serve agora de suporte para que eu possa falar das ruas do IAPI. Logo entenderão o porquê. Lembro que desde criança, e falo dos anos quarenta e cinquenta, despertavam curiosidade aqueles nomes pomposos, estranhos e desconhecidos, que nominavam os logradouros e que nossos pais, e também as professorinhas das escolas públicas, quando questionados, não sabiam explicar a origem: Marechal Falcão da Frota, Marechal Marciano, Marechal Modestino, Marechal Joaquim Ignácio, Marechal Bibiano Costalat, Marechal Barbedo, Marechal Agrícola, Marechal Xavier Câmara, Marechal Antônio Faustino e Marechal Abreu Lima, os mais conhecidos, mas muitos outros mais. De onde vieram tantos MARECHAIS??? Quantas vezes me perguntei!!! 

         



Aliás, nossas ruas eram um dos orgulhos do lugar. Umas bem extensas, outras mais curtas, todas muito bem traçadas e que se transformaram em verdadeiras células vivas com grupos constituídos, quase um condomínio, cada qual com hábitos e costumes próprios sedimentados no curso dos anos. Nas ruas mais longas como a Falcão da Frota, onde eu morava, e a Marciano, que se estendiam por mais de um quilômetro, do nosso bairro até o início do vizinho, a vida acontecia nos limites de pequenas quadras, divisões que surgiam de forma natural e ao gosto dos moradores. Nesses espaços todos se conheciam bem e conviviam em plena harmonia, logo despontando os líderes espontâneos. As práticas ali desenvolvidas se tornavam quase típicas do pedaço. Os esportes, os folguedos das crianças, as datas festivas, a confraternização dos pais, tudo adquiria ar próprio daqueles agrupamentos. Em ruas mais curtas como a Bibiano Costalat, as pessoas chegaram a formar verdadeira família e foi exemplo de união e de amizade que por muito tempo refletiu em todo o Conjunto. A posição privilegiada ao lado da Pracinha do bairro e do Coletivo, mas também pelo coincidente gosto dos pais e das crianças pela prática esportiva, futebol sobretudo, tornaram a Bibiano uma referência do bairro. 

Darcy  Silveira o Canario -
 capa da revista do Real Madrid 
CANÁRIO  NO REAL MADRID

Não foi apenas acaso surgir ali o excepcional Canário, atleta que viria a brilhar durante anos no histórico ataque do Real Madri – Canário, Del Sol, Di Stefano, Puskas e Gento. Um orgulho sem tamanho para os realenguenses. Não há como esquecer também a Marechal Modestino, a mais conhecida rua do conjunto pela presença, nela, de um trecho, não mais de 200 metros, carinhosamente conhecido por nós como Coletivo, onde aconteciam todas as principais manifestações da população local. 


Lugar carismático, frequentado pela massa dos moradores, tinha o poder de reuni-los nos domingos e dias festivos, máxime o famoso Carnaval do bairro. Guarnecido por dois bonitos prédios de três andares, ocupados por felizes moradores, abrigava no seu térreo várias lojas comerciais e alguns órgãos da administração do Conjunto. Foi quando ingressei na vida militar, nos idos de 1957, que comecei a entender o significado dos nomes de nossas ruas. Aqueles homens, na verdade, não chegaram a ser marechais no serviço ativo. Tratava-se de homenagear, na inatividade, figuras ilustres do Exército como reconhecimento pela participação em variados episódios históricos ocorridos no final do século do XIX ou início do século XX – a Guerra da Tríplice Aliança, a Proclamação da República e a sua consolidação, por exemplo. Mas ainda me seria dada a oportunidade de conhecer de forma mais completa todo o alcance daquela distinção que tanto me intrigava quando criança. Os caminhos da vida me levaram um dia, após o término do serviço ativo, a fazer parte da diretoria do Clube Militar, onde permaneci por seguidos quatorze anos e pude destinar boa parte do tempo pesquisando os arquivos da sua instigante história, as origens, a fundação e a sua trajetória ao longo dos seus mais de 130 anos.

Getúlio gostava do Clube bem como admirava também as Forças Armadas a qual integrara na juventude


    
Logo ficou clara a intensa ligação que Getúlio Vargas, o idealizador do IAPI, manteve com o Clube desde que se tornou ditador em 1930 e até 1954, ano do seu suicídio, já restabelecido o regime democrático. Getúlio fora militar na juventude, contemporâneo de vários dos chefes militares em atividade e embora os episódios conturbados que caracterizaram seu relacionamento com as Forças Armadas, fruto de seus jogos e ambições políticas, jamais se afastou do Clube que prestigiou e frequentava com certa regularidade, inclusive para assuntos pessoais. Não era raro, principalmente durante a fase do governo autoritário, encontrá-lo na sede da Avenida Rio Branco em busca do alfaiate ou do barbeiro de sua confiança ou simplesmente para almoçar com auxiliares. Getúlio gostava do Clube bem como admirava também as Forças Armadas a qual integrara na juventude. As cerimônias cívico-militares jamais se repetiram com o mesmo brilho em outro governo. Os momentos mais marcantes de Getúlio, porém, se deram nos nossos Salões, quando participou de algumas das históricas assembléias que antecederam a criação da Petrobrás e debater a exploração dos campos de petróleo já conhecidos. Uns defendiam o Monopólio, outros eram contrários. As discussões acirradas envolveram a diretoria do Clube, seus associados e deixaram sequelas. No final de tudo pude constatar com imenso gosto que todos aqueles homens que tiveram seus nomes gravados nas ruas do Realengo foram, um dia, ligados ao Clube Militar. Eles viveram a época da criação da entidade, o que se deu logo após o término da Guerra da Tríplice Aliança; testemunharam e até participaram do movimento que derrubou a monarquia, da Proclamação da República e da sua consolidação, já nos primeiros anos do século XX. E mais, todos sem exceção passaram pelos quadros dirigentes do Clube Militar, seja como seus fundadores, diretores, conselheiros e alguns deles até mesmo como seus presidentes. Ainda haveria muitos outros marechais não contemplados para designar as ruas do nosso bairro, como os próprios Deodoro da Fonseca e Hermes da Fonseca, que presidiram nosso Clube e também a nova República do Brasil. Ao lado da distinção ficou em mim a certeza que Getúlio Vargas foi responsável pela designação das ruas do IAPI do Realengo fruto da sua profunda admiração pelo Exército e pelo Clube Militar que tanto prestigiou. Pena que tudo aquilo terminasse. “Alpha et Omega”

O autor Gilberto Rodrigues Pimentel
 é Gen Div Veterano  (AMAN-1962)
e foi Presidente do Clube Militar.
-------------------------------------------

Esta reprodução foi autorizada pelo autor Gilberto Rodrigues Pimentel


Publicada originalmente na Revista do Clube Militar . Edição 492 jan-fev 2024

https://drive.google.com/file/d/1gY1RKdovv9ANohUwGAMDSv0TFcm0KC2d/view?usp=sharing


nota do blog. O jogador Darcy Silveira ^O Canário^ também jogou na Seleção Brasileira no ano de 1956.



domingo, 23 de agosto de 2026

Pedacinho do Céu em Realengo.

 Hoje eu estou aqui pra te apresentar um pedacinho do céu em Realengo.

 Será que temos em Realengo um paraíso celestial?

Aqui pertinho, Entre a COHAB e a Rua Piraquara, encontramos em Realengo um trecho que pode ser chamado

 "Pedacinho do céu".

 Sim, diversas ruas levam nome de Santos e santas além de dois Padres e um frei.

Pedacinho do Céu - Reprodução google

São elas: Ruas Santo Ângelo,  rua Nossa Senhora da Penha,  Santo Inácio,  São Marcos, rua Senhor do Bonfim,  Santa Marta, Rua Santa Odília,  Santa Rita de Cássia,   rua Frei Miguel,  rua Monsenhor Mochon (O nosso Padre Miguel) e também lá do outro lado da rua Piraquara tem a rua padre Sabóia de Medeiros.




Tudo isso em uma área de aproximadamente 177.000m².

Certamente o Robin diria: Santa coincidência, Batman.

 Com certeza deve ser um lugar abençoado, de muita paz.

 Se você  quer ir pro céu, vem morar nessa região e fazer um estágio.

 E aí, você conhecia esse pedacinho de Céu em Realengo?

Curta, comente e compartilhe


.

sábado, 20 de dezembro de 2025

Grêmio de Realengo Memórias Afetivas


MEMÓRIAS AFETIVAS DO GRÊMIO.





O História de Realengo, vem resgatar a Memória Afetiva dos frequentadores do GEER.

 ( Grêmio Esportivo Estudantil de Realengo )




Várias gerações passaram e interagiram entre si, pais filhos e netos se misturavam enquanto suas portas estavam abertas, inclusive alguns casais se conheceram lá dentro vindo a se casarem.


                                                    Os Mihessem 

Começo com a Família Mihessem, que desde de sua fundação, tem ligações profundas com o clube. Pois o patriarca Mihessem Sleiman Mihessem foi um comerciante respeitável em  Realengo e ajudou nos primeiros dias do clube tendo o seu titulo  de sócio proprietário nº 1, herdado pelo seu filho Ivan. Foi um ativo colaborador da diretoria e tinha o clube como seu segundo lar.

Mihessem Pai, frequentou o Clube desde a sua fundação. e seus filhos o seguiram. 

Leila Mihessem hoje uma senhora com uma memória maravilhosa, nos brinda com inúmeras lembranças de sua trajetória com uma  riqueza de detalhes desde quando ainda era criança nos anos 50 e seu pai um membro ativo na diretoria do clube. Leila nos recebeu em sua casa, em meio a muitas fotos das quais ia comentando cada uma e comentando casos, lembra também que o seu pai era tão fascinado pelo clube que até deixava a família em segundo plano algumas vezes lamenta.  


Unidos através do Clube 
 Seu irmão Ivan Mihessem (herdou do pai o titulo de Sócio proprietário nº 001) relata que também foi assíduo   frequentador, tem saudades do clube e ficou muito   feliz em  poder dividir suas memorias. Pois foi lá   que  conheceu Denise o  amor da sua vida. Denise   que já o paquerava, aceitou o  pedido de namoro e   vieram a se casar, seus filhos também  curtiram de   alguma forma esse espaço multicultural. 

(nas fotos  acima (1) Ivan orgulhoso de suas carteiras e ao lado (2) o casamento duradouro).

Também recebemos relatos de Mauricio Mihessem (na foto (1) acima com o neto Caio) atualmente morando em Brasília, mas fez questão de relatar que foi o sócio número 23 e que jogou Vôlei, Basquete, Futsal. Ia praticamente todos os dias, pois os bailes de domingo, os carnavais as festas juninas eram imperdíveis. No show do Roberto Carlos, nosso pai era presidente do Conselho Deliberativo, e uma prima nossa da Síria estava no Brasil e adorou o Show do Rei.


Os Silva : Luiz Augusto o Gugu e Família


Os desfiles de Misses eram uma atração à parte como relata outra  “Leila”  que desde os anos 50, frequentava o clube, e o Gugu também,  e rolou uma química, que rendeu uma família linda e ela relata  momentos marcantes como sua eleição de Princesa da Primavera em  1966  e do dia que recebeu um LP (log play)   Gafieira Universal autografado por todos os         membros da Banda Black Rio em 1978  (guardado   com carinho até hoje), numa das  inúmeras   apresentações deles no Jazz promovido pelo Zé   Russo e pelo Gugu (seu marido) e pelo Beto (   Benevenuto) , também jogou Vôlei e participou de teatro e assistiu muitos artistas,   e lembra emocionada de ouvir MoonLigth Seranade com a  Orquestra Tabajara de   Severino Araújo. E nos carnavais organizava e participava da ALA  Mini-Turma.


        
Flávia Silva
    Já sua filha Flavia curtiu os anos 70,80 e 90, primeiro nas aulas de Ballet     e Jazz com a 
 profª. Dill Costa, curtia patinação e a discotecas promovidas  pelo seu pai (Gugu) e seus quinze anos no clube que lembra com carinho. E os carnavais que desde criança frequentava ( foto ao lado) e ressalta que os     encontros de jazz eram maravilhosos.

E é dela uma sugestão que o blog abraça com carinho. Porque não instalar um SESC no local?


  

           Os bailes aos domingos

Luiz Augusto da Silva “o Gugu”
é lembrado por muitos em nossa pesquisa, como referência nos alegres bailes de domingos. Era exigente com a qualidade do som, que antes de mais nada primava pela qualidade, antes dos bailes, checava todas as caixas, para conferir o funcionamento e a qualidade. Suas equipes, que tiveram vários nomes, Grupo Amém, Genesis Rock, Korpus  4. E a “Bem me Quer” (fixa no Varandão tocando só MPB ) 

As domingueiras: Sem dúvida alguma foram os bailes de domingo que mais marcaram a memória dos frequentadores, a luz negra, o globo espelhado...as luzes estroboscópios, painéis de Neon, painéis com cores cítricas. Tudo era muito colorido. Era a época ainda que se dançava juntinho, era o momento de estar ao pé do ouvido, com o seu ou sua paquera, de rostinho coladinho, beijos roubados... o paredão...ah o paredão e os “piços”, claro tinha alguns NÃO! Quando perguntávamos quer dançar? Ai restava como diria Tim Maia, segurar a criança.


Tive o Prazer de fazer parte desta época.

    O Varandão – Equipe Bem me quer

Um projeto criado pelo Beto que percebeu que o público vinha aumentando o interesse pela MPB e criou este espaço aconchegante no clube e deixou o Helinho como responsável pelas carrapetas teve também outros.

Eu (Luiz Fortes) tive o prazer de fazer parte desta equipe, inicialmente era só um curtidor, já tinha passado da fase de dançar até suar no salão(rs). E quando a loja de discos que eu trabalhava, sofreu um incêndio e encerrou as atividades, o GUGU me chamou pra ser um dos discotecário do  Varandão de 1981 até o início de  1984 (tive que sair pois fui trabalhar a noite e fins de semana) , tocando somente MPB. (ouça neste link uma playlist  ESPECIAL VARANDÃO das músicas que toquei nessa época).

O prefixo e sufixo era com a música “A noite vai ser boa” grupo Brylho. Muito bom.

Quando um artista da MPB vinha ao clube, na hora da apresentação desligávamos tudo e íamos ao ginásio assistir, e como era da equipe  estive várias vezes junto aos artistas, lembro que a Paula Toller (bem nova) era do grupo  Kid Abelha e os Abóboras Selvagens ela vinha subindo a escada do palco e se assustou com o grande publico e me perguntou eles não jogam ovos não? Repondi: Nuca aconteceu, o público aqui adora suas musicas.

Acho que não a convenci, pois subiu ainda meio tensa...kk


Minha amizade com Gugu e Leila, fizeram deles meus padrinhos de casamento 

Gugu tinha um faro apurado para música, fosse ela de qualquer gênero, trazia pros bailes seu gosto pessoal e juntava com o que a massa gostava, misturava tudo em suas carrapetas e com certeza agradava, pois os bailes estavam sempre cheios. Tive a honra de sua amizade desde jovem ainda, e o tempo só solidificou, vindo a se tornar com a Leila, um dos meus padrinhos de Casamento e se estendeu com toda a família. 

Ele foi mais um a me influenciar musicalmente, apresentando diversos artistas com seus discos importados.


 Posteriormente tive a oportunidade de fazer numa rádio pirata em Realengo um programa chamado “Bau do Gugu”, levei ele na estreia do programa e apresentava todos os sábados as 10 da manha os sucessos que marcaram época dos bailes do Grêmio. E claro fiz vários registros fotográficos dele. 

 Atividades esportivas, culturais fossem elas musicais, cênicas ou de dança, tinham espaço no GEER.

Benevenuto Rovere

Claro tiveram diversas pessoas responsáveis em trazer os artistas, mas destacamos o Beto.


 Sr. Benevenuto Rovere (o Beto) que esteve muitos anos à frente do   departamento Social, (e foi sócio do Gugu nas Equipes de Som) puxou da   memória uma lista de artistas que se apresentaram no ginásio do clube.

  ( confesso que me surpreendi com vários nomes )

     Atualmente ele é presidente do Museu de Bangu e desenvolve um trabalho   primoroso de pesquisa da região.

 As decorações, jogos de luzes, toda parte pirotécnica até a divulgação  criação do  marketing, era sua responsabilidade. 

 

Ele foi o responsável pela estratégia de entrar com o Roberto Carlos, por uma casa atrás do Clube.

 

Detalhe, até agora não encontrei nenhuma outra pessoa que tenha cedido sua casa para camarim do Rei.


ATENÇÃO JÁ POSTAMOS

SOBRE OSHOW DO REI.

Veja a história completa neste link aqui  mesmo neste blog: 

https://historia-de-realengo.blogspot.com/2011/11/o-rei-roberto-carlos-em-terras.html 



Vários conjuntos se apresentaram no clube:


 Conjuntos Aeroporto, Cry Babies, Casanova ainda com Rosana, Os Famks (que   viraram Roupa Nova), Lafayette e seu conjunto, Painel de Controle, Pholhas,   Renato  e Seus Blue Caps,  Conjunto Superbacana,  The Fevers.  (ver video abaixo)




Além de várias Orquestras como Waldir Calmon, Orquestra Tupy, Orquestra Tabajara de Severino Araújo.

Tivemos noites de serestas com Carlos Alberto, O Rei do Bolero, Jamelão, Silvio Caldas.

E grandes artistas da MPB fizeram no Grêmio apresentações marcantes: 

ABSYNTHO, A BOLHA, ÂNGELA RÔ RÔ, ALMIR GUINETO, AGEPÊ , BEBETO, BELCHIOR, BENITO DI PAULA, BIAFRA,  BLITZ, BARÃO VERMELHO, BIQUINI CAVADÃO, CAZUZA,  CAPITAL INICIAL, CAMISA DE VÊNUS, COPA 7,  ED MOTTA E CONEXÃO JAPERI, DOMINÓ, DR. SILVANA E CIA., DHEMA , DICRÓ, ELSON DO FORROGODE, EDUARDO DUSSEK, ENGENHEIROS DO HAVAÍ, FAUSTO FAWCETT E SEUS ROBÔS EFÊMEROS, GANG 90 E SUAS ABSURDETES, GUILHERME ARANTES, GERSON KING COMBO, GILBERTO GIL,

GONZAGUINHA HERVA DOCE, HANÓI HANÓI, INIMIGOS DO REI, IRA, KID ABELHA, JORGE BEN JOR, JORGE ARAGÃO, LECI BRANDÃO , LULU SANTOS, LÉO JAIME, LOBÃO, LUÍS CALDAS, MARINA LIMA, MARISA MONTE, MADE IN BRAZIL, MARCELO, NEGUINHO DA BEIJA FLOR, NENHUM DE NÓS, NOVOS BAIANOS, PLEBE RUDE, RÁDIO TÁXI, RITCHIE, ROBERTO CARLOS, RITA LEE , ROSANA, SANDRA DE SÁ, TIM MAIA, TONI TORNADO, ULTRAJE A RIGOR, TÓKIO, O TERÇO E  YAHOO, ZECA PAGODINHO, ZIZI POSSI
Jorge Ben Jor e Neguinho da Beija Flor em dias diferentes.


Teve Shows do CASINO DO CHACRINHA, DE CARLOS IMPERIAL E SUAS LEBRES....

              E as tradicionais Festas Juninas com o Concurso de Quadrilhas, Festivais de musica.

                       OS BAILES BLACK e a ONDA ROCK MARCARAM UMA GERAÇÃO


Equipes de som: Genesis Rock, Grupo AMEM, Korpus´4, Furacão 2000, Uma Mente Numa Boa, Revolução da Mente, Rick, Black Power, Petru´s, Dynamic Som, Pop Rio Discoteque, Soul Grand Prix, Cash Box, A Cova, entre outras.          

Os discjockey (DJs). Ademir Lemos, Cidinho Cambalhota e Big Boy traziam muitas novidades para as pistas.  No final da década de 80 a onda disco invadiu as pistas.


Jair Pereira

 Os bailes Blacks eram ótimos, as roupas, os sapatos de várias camadas, cada visual com estilos próprios, ousados, não era um padrão, eles criavam com diversas tendências. Mas com muita coerência, lembro que os macacões tipo de frentista de posto de gasolina, geralmente brancos, eram usado por alguns, ou jardineiras jeans, eram muito comum. como lembra Jair Pereira que também conheceu sua esposa nos bailes. 

    



O período Rock o que predominava eram as calças “Cocotas” de cós baixo. Calças Jeans, US Top, Levis e das jaquetas de franja, das camisas coloridas tipo Havaiana, calças com bocas de sino e muito coloridas, sem esquecer a calça do exército tingida de preto.

    O período da Discoteque  vieram as blusas com ombreiras, os cabelos com laque, meias soquete, e roupas com muito brilho.


O Grêmio sempre foi Esportivo.

Já tinhamos em mãos  registros fotográficos, cedidas por Orlando Charuto (em memoria) desde 1958, times de Voley e Basquete, tinha equipes de Handball, Futsall, (obs: Na primeira diretoria já constava departamentos Esportivo de Futebol, Voleibol, e Basquete. 
Vários times, em quadra adversários, mas fora amigos.





 
Iceri Ferreira da Silva no Clube
 
Iceri Ferreira da Silva no Clube 
O Sr. Iceri Ferreira da Silva, Que atuou como membro do departamento Esportivo relembra que em 1997, o time de futebol de Salão do Grêmio, foi campeão da  Copa dos Bairros  promovida pelo Jornal de bairros de O GLOBO. e cedeu algumas fotos.


anos depois, em uma confraternização, 
amigos se reuniram. (eu estou atrás das lentes)



Ah! os carnavais...  

    Os carnavais, foram citados por muitos pesquisados, lembranças vivas em suas mentes, falam carinhosamente dos bailes carnavalescos e pré-carnavalescos.

foto de autor desconhecido

O Azul e Branco, o Baile do Shortinho, o das Torcidas.... As inúmeras ALAS que se organizavam de forma independente e surgiam com inúmeros componentes vestidos iguais e com uma contagiante animação.

 Ala Alegria-Alegria, Ala Bem Bolado, Ala AMEM (Alô Mocidade, Estamos em Movimento - nome criado pelo jovem Jeferson). Existiram outras alas, estas foram algumas lembradas.


foto arquivo pessoal de José Carlos Dabdab






Essas alas combinadas  davam um colorido especial ao se ver tantos jovens congregando a mesma alegria, e isso já vinha de outras décadas, como essa dos anos 60 cedida pelo amigo José Dabdab, diretamente do baú da família.



Daniela Marcondes ainda criança na folia 


De todo canto do bairro surgiam grupos fantasiados iguais, que emanavam alegria da juventude.

ALA BEM BOLADO

Thiers & Nelma Cardoso, um dos muitos casais unidos pelo Grêmio.

Eu lembro que num Carnaval a banda contratada, queria algo mais que havia assinado no contrato. E a direção chamou eu e o Helio, para conversar. Perguntando se nós nos garantiríamos em manter o público animado. Fizemos igualzinho fazíamos no varandão, exceto musicas lentas, só pancadas, marchinhas de carnaval, sambas enredo, sambas, rock, musica pop, mas tudo brasileira, misturamos tudo e deu super certo. Esquematizamos que duas bolsas cheias de discos de vinil, seriam minhas e duas dele, o que ele tocasse no Varandão, ele traria pro Salão e vice e versa, trocamos de posição umas duas vezes. Foi magico. ( Luiz Fortes)


A Família Freitas tem grande participação de seus membros.

                                                                                                                                                                               
Derinho como Ney Matogrosso e Arnaldo
O primeiro diretor de Voleibol, Sr, Antônio José de Freitas , criador da logomarca do Grêmio, vem a ser irmão de Ataliba Freitas pai do Arnaldo Freitas o Arno da Academia, uma pessoa que tem sua vida muito ligada ao clube, foi sócio, frequentou nas decads de 70,80 e 90, fez parte de vários times de futsal, Adorava fazer os concursos da academia Arnô lá, onde elegia a menina mais bonita e dava muitos prêmios, os shows performáticos do Derrinho, como Rita Lee, Ney Matogrosso,e a ressurreição de John Lenon etc. E curti muito o varandão e os carnavais, também foi lá que conheci a mãe dos meus filhos e formamos uma família linda.



Arnaldo Freitas /Arnô
Arnaldo diz ter muitas saudades dessa época, infelizmente acabaram com o clube e hoje precisamos criar uma parceria público-privada para investimento e reabertura do clube. 


Muita gente tem essa intenção mas na hora que tem que arregaçar as Mangas e trabalhar correm da responsabilidade, sempre estive a favor de reabrir a clube, porém não é fácil em função de sérios problemas que o clube tem para resolver.

Estarei sempre a vontade como voluntario para ajudar a mudar esse quadro, porém preciso de apoio

Arnaldo Freitas /Arnô daa Academia


       




  Jazz ao vivo nas segundas feiras

Ronaldo Silva - filho do Robertinho

Luiz Carlos Batera, Sidão no Baixo
 e Hellen Andrews

    O Grêmio anos antes, teve um projeto parecido com esse, e o José Russo propôs ao Benevenuto, reviver. No fim dos anos 70, Zé tinha muitos amigos músicos que nas segundas não tinham trabalho, e queriam um espaço para curtir um som com mais liberdade e rever os amigos, Gugu que primava pela qualidade sonora, preparava tudo e o público saia extasiado com tantos músicos bons e não se cobrava ingresso, passava-se o chapéu e tudo certo. Tocavam por prazer.





Passaram por lá: Robertinho Silva, Délia Fischer, Carlos Dafé, Banda Black Rio, Jamil Joanes, os  jovens Sidão Santos e Mario Grigorriwisk a americana Hellen Andrews. na foto.

Os encontros de JAZZ com a Banda Black Rio, Robertinho Silva e muitos outros, que aconteciam às segundas-feiras sob o comando do saudoso, Zé Russo, com o apoio de Gugu e Benevenuto (Beto).     

Os músicos não cobravam cache, viam curtir,  encontrar amigos e surgiram novos talentos,

Como Mario Grigorowisk (Saxofonoista da banda Celebrare desde .1994 e o Sidão Santos  baixista do Seu Jorge, desde do ano 2000. Que compôs a musica Gremio de Realengo, ve  já o vídeo.


Paulo Cesar Costa foi um dos aprecisadores destes encontros, e inspirou-se em anos depois, criar o Armazém do Jazz, coletivo cultural voltado a incentivar a musica instrumental.

No Canal do YouTube do Armazém do Jazz, encontramos registros preciosos feitos no Varandão do Grêmio nas:  Segunda instrumental




E o Clube ganhou uma composição em sua homenagem feita por SIDÃO SANTOS, que quando mais novo fez inúmeras apresentações lá.


outra versão da mesma, mas só para ver no youtube.:
  https://www.youtube.com/watch?v=4TuYRcIbjxk


 Em nossa Pesquisa também lembraram dos Shows organizados pelo TUQUINHA, com inúmeros artistas Gays, fazendo performances  de altíssimo nível.

Festivais de música e de poesia tinham espaço no ginásio o mesmo do Futebol de Salão, do Handball, do voley, do Basquete, do Judô, das aulas de dança Jazz e Contemporanea, com a Professora Dill Costa. lembrada por muitos . 

Veja a jornada da Dill posteriormente.

Intérprete de Candelária, Dill Costa lembra Malhação e fala da vida longe do Brasil | RD1 https://share.google/MthE6KKb04qKgqWwg


Aqui alguns dos depoimentos colhidos com vários ex-frequentadores:

Agradecemos com muito o carinho de todos que enviaram suas respostas, com as quais foi fundamental para a conclusão desta matéria. Muitas pessoas devem ter inúmeras historias, seria impossível colocar todas aqui.




Festival de Música no Grêmio em 1975.


E a música imitando os grandes festivais da televisão, também teve espaço no clube.

Nosso amigo Elias Lins, nos brinda com uma musica que apresentou de sua autoria, com letra e o registro fonográfico feito ao vivo na sua apresentação em 1975.

Elias Lins 
Festival de música 1975.
foto de Wagner Chagas que foi Jurado.

A luz 

A LUZ (Autor: Elias Lins)
Interpretes: Elias Lins & Antônio Rosa
Acompanhamento: Banda “SOM 7”

No peito há maldade
Na trilha, no chão
Há trevas, confronto
Procuro a razão
Destino nos passos
Eu tenho nos traços
O mundo, a visão.

Chegando ao final do ciclo vital
Estou sentindo
Chegando ao final do ciclo vital
Estou caindo
Chegando ao final do ciclo vital
Estou morrendo
Chegando ao final do ciclo vital
A LUZ – A LUZ 
A mística, a verdade
Me cura a ferida
Em contradição
As trevas da vida
No peito há bondade
Vencendo a maldade
O mundo, a visão.
Cruzando o final do ciclo vital
Estou sentindo
Cruzando o final do ciclo vital
Estou me erguendo
Cruzando o final do ciclo vital
Estou nascendo
Cruzando o final do ciclo vital

(ouça aqui)



Amizades, nasceram, romances se iniciaram e muita saudade ficou, mas ficou a certeza de terem curtido uma adolescência incrível.

Algumas carteiras que recebemos.



 ____________________________________________________________

 

E O FUTURO?

E o futuro do Grêmio? alguns perguntaram o Clube vai voltar?

Não sei, acho difícil, pois outros iguais em vários bairros diferentes também não resistiram, hoje temos mais opções de lazer, mobilidade facilitada, também tem a violência que de certa forma nos deixa atrás das grades na própria casa.

 

Mas eu defendo uma sugestão enviada por nossa amiga e seguidora Flávia Silva (filha do Gugu e Leila) de que ali se transforme em um SESC, ou SESI mas com as portas abertas para a população. Ideia sensacional!

 Espero que os nossos representantes políticos se mobilizem em pôr em prática ou isso ou algo produtivo, o que não pode é uma estrutura ótima como aquela ficar abandonada bem no centro do bairro.      Que tal um debate com a população sobre o assunto?     

Por Luiz Fortes

 

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

 

Uma previa ao documentário ainda em produção, para ser lançado na segunda quinzena de março de 2026.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxx


Esta pesquisa só foi possível, com a colaboração de muitos personagens, que se dispuseram a ceder depoimentos e fotos, documentos, etc. A memória local somente desta forma pode ser preservada.

 

Em ordem alfabética:  

Adelia Sophia Olivia – Afonso Celso de Paula –  Alberto Carlos – Alvimar Hernandez Andreia Bastinhos - Arnaldo Gomes Freitas - Benevenuto Rovere - Carla Simone Lucas - Catia Cilene - Cezar Augusto - Claudia Castellano - Claudia Cristina - Daniela Marcondes - Denise  Mihessem - Denise Bruna Espinosa - Dylson Pontes - Elaine Vital Reis - Elizabeth Carlos - Elizete Villanova - Elias Lins - Flávia de Souza e Silva - Flavia Madeira de Araujo - Gisele Gottqtroy - Haydee Miranda -  - Heleno Getulio – Iceri Ferreira da Silva - Isaac da Silva - Ivan Mihesem - Jades Léo - Jorge Torres - José Armando Vargas Silveira - José Carlos Dabdab – Leila Mihessem - Leila dos Santos Souza da Silva – Jovino Santos Neto - Leila Mihessem – Lucia Monteiro -   Lucia Pinudo Ferreira - Luiz AlbertoLopes - Luiz Albino dos Santos - Luiz Antonio Villela Teixeira - Luiz Carlos Bastos Fortes - Luiz Cesar Monteiro de Araújo - Manoel Gomes- Marcelo Ferreira Vaz - Marcia Regina Gottqtroy - Marcia Simões - Marcia Viana - Marcos de Moraes - Maria da Graça

Souto Moreira - Maria do Carmo de Figueiredo Verissimo - Mario  Antonio Gomes Maia – Mauricio Mihessem - Maximiano Ribeiro da Cruz - Messias de Souza Pinto - Miguel Lyra Quitete - Monica França - Paulo Mauricio - Paulo Moraes de Lima - Raulino Machado - Robson de Oliveira - Rodrigo Tavares -Rosana Alves – Rose Camacho - Sergio Lopes da Costa - Solane de souza Silva - Sonia Dalmoneki - Sonia Maria da Silva - Sulamita Souza Vaz - Valeria Borges Saraiça - Vania Silva - Wagner Chagas - Wagner F. Cordeiro - Wagner Passos - Wanderlea de Almeida - Wladimir Lima Soares




ESTA POSTAGEM TEVE O OFERECIMENTO CULTURAL DE  AÇOUGUE AMA.
RUA DO IMPERADOR 450 LOJA D - REALENGO


---------------------------------
OBS: Seu comentário aqui abaixo é muito importante.
Se gostou do nosso trabalho e deseja colaborar com ao menos R$ 1,00 seremos gratos.
pix.:  pro.realengo@gmail.com

ou encomende sua camiseta por R$ 35,00  - obs:  se for de fora do bairro, haverá acréscimo do frete

link para encomendar clique :

obs:  Essa postagem é uma homenagem póstuma a: Luiz Augusto (Gugu) , José Russo, e Júlio Cesar (Pinguim)