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sábado, 20 de dezembro de 2025

Grêmio de Realengo Memórias Afetivas


MEMÓRIAS AFETIVAS DO GRÊMIO.





O História de Realengo, vem resgatar a Memória Afetiva dos frequentadores do GEER.

 ( Grêmio Esportivo Estudantil de Realengo )




Várias gerações passaram e interagiram entre si, pais filhos e netos se misturavam enquanto suas portas estavam abertas, inclusive alguns casais se conheceram lá dentro vindo a se casarem.


                                                    Os Mihessem 

Começo com a Família Mihessem, que desde de sua fundação, tem ligações profundas com o clube. Pois o patriarca Mihessem Sleiman Mihessem foi um comerciante respeitável em  Realengo e ajudou nos primeiros dias do clube tendo o seu titulo  de sócio proprietário nº 1, herdado pelo seu filho Ivan. Foi um ativo colaborador da diretoria e tinha o clube como seu segundo lar.

Mihessem Pai, frequentou o Clube desde a sua fundação. e seus filhos o seguiram. 

Leila Mihessem hoje uma senhora com uma memória maravilhosa, nos brinda com inúmeras lembranças de sua trajetória com uma  riqueza de detalhes desde quando ainda era criança nos anos 50 e seu pai um membro ativo na diretoria do clube. Leila nos recebeu em sua casa, em meio a muitas fotos das quais ia comentando cada uma e comentando casos, lembra também que o seu pai era tão fascinado pelo clube que até deixava a família em segundo plano algumas vezes lamenta.  


Unidos através do Clube 
 Seu irmão Ivan Mihessem (herdou do pai o titulo de Sócio proprietário nº 001) relata que também foi assíduo   frequentador, tem saudades do clube e ficou muito   feliz em  poder dividir suas memorias. Pois foi lá   que  conheceu Denise o  amor da sua vida. Denise   que já o paquerava, aceitou o  pedido de namoro e   vieram a se casar, seus filhos também  curtiram de   alguma forma esse espaço multicultural. 

(nas fotos  acima (1) Ivan orgulhoso de suas carteiras e ao lado (2) o casamento duradouro).

Também recebemos relatos de Mauricio Mihessem (na foto (1) acima com o neto Caio) atualmente morando em Brasília, mas fez questão de relatar que foi o sócio número 23 e que jogou Vôlei, Basquete, Futsal. Ia praticamente todos os dias, pois os bailes de domingo, os carnavais as festas juninas eram imperdíveis. No show do Roberto Carlos, nosso pai era presidente do Conselho Deliberativo, e uma prima nossa da Síria estava no Brasil e adorou o Show do Rei.


Os Silva : Luiz Augusto o Gugu e Família


Os desfiles de Misses eram uma atração à parte como relata outra  “Leila”  que desde os anos 50, frequentava o clube, e o Gugu também,  e rolou uma química, que rendeu uma família linda e ela relata  momentos marcantes como sua eleição de Princesa da Primavera em  1966  e do dia que recebeu um LP (log play)   Gafieira Universal autografado por todos os         membros da Banda Black Rio em 1978  (guardado   com carinho até hoje), numa das  inúmeras   apresentações deles no Jazz promovido pelo Zé   Russo e pelo Gugu (seu marido) e pelo Beto (   Benevenuto) , também jogou Vôlei e participou de teatro e assistiu muitos artistas,   e lembra emocionada de ouvir MoonLigth Seranade com a  Orquestra Tabajara de   Severino Araújo. E nos carnavais organizava e participava da ALA  Mini-Turma.


        
Flávia Silva
    Já sua filha Flavia curtiu os anos 70,80 e 90, primeiro nas aulas de Ballet     e Jazz com a 
 profª. Dill Costa, curtia patinação e a discotecas promovidas  pelo seu pai (Gugu) e seus quinze anos no clube que lembra com carinho. E os carnavais que desde criança frequentava ( foto ao lado) e ressalta que os     encontros de jazz eram maravilhosos.

E é dela uma sugestão que o blog abraça com carinho. Porque não instalar um SESC no local?


  

           Os bailes aos domingos

Luiz Augusto da Silva “o Gugu
é lembrado por muitos em nossa pesquisa, como referência nos alegres bailes de domingos. Era exigente com a qualidade do som, que antes de mais nada primava pela qualidade, antes dos bailes, checava todas as caixas, para conferir o funcionamento e a qualidade. Suas equipes, que tiveram vários nomes, Grupo Amém, Genesis Rock, Korpus  4. E a “Bem me Quer” (fixa no Varandão tocando só MPB ) 

As domingueiras: Sem dúvida alguma foram os bailes de domingo que mais marcaram a memória dos frequentadores, a luz negra, o globo espelhado...as luzes estroboscópios, painéis de Neon, painéis com cores cítricas. Tudo era muito colorido. Era a época ainda que se dançava juntinho, era o momento de estar ao pé do ouvido, com o seu ou sua paquera, de rostinho coladinho, beijos roubados... o paredão...ah o paredão e os “piços”, claro tinha alguns NÃO! Quando perguntávamos quer dançar? Ai restava como diria Tim Maia, segurar a criança.


Tive o Prazer de fazer parte desta época.

    O Varandão – Equipe Bem me quer

Um projeto criado pelo Beto que percebeu que o público vinha aumentando o interesse pela MPB e criou este espaço aconchegante no clube e deixou o Helinho como responsável pelas carrapetas teve também outros.

Eu (Luiz Fortes) tive o prazer de fazer parte desta equipe, inicialmente era só um curtidor, já tinha passado da fase de dançar até suar no salão(rs). E quando a loja de discos que eu trabalhava, sofreu um incêndio e encerrou as atividades, o GUGU me chamou pra ser um dos discotecário do  Varandão de 1981 até o início de  1984 (tive que sair pois fui trabalhar a noite e fins de semana) , tocando somente MPB. (ouça neste link uma playlist  ESPECIAL VARANDÃO das músicas que toquei nessa época).

O prefixo e sufixo era com a música “A noite vai ser boa” grupo Brylho. Muito bom.

Quando um artista da MPB vinha ao clube, na hora da apresentação desligávamos tudo e íamos ao ginásio assistir, e como era da equipe  estive várias vezes junto aos artistas, lembro que a Paula Toller (bem nova) era do grupo  Kid Abelha e os Abóboras Selvagens ela vinha subindo a escada do palco e se assustou com o grande publico e me perguntou eles não jogam ovos não? Repondi: Nuca aconteceu, o público aqui adora suas musicas.

Acho que não a convenci, pois subiu ainda meio tensa...kk


Minha amizade com Gugu e Leila, fizeram deles meus padrinhos de casamento 

Gugu tinha um faro apurado para música, fosse ela de qualquer gênero, trazia pros bailes seu gosto pessoal e juntava com o que a massa gostava, misturava tudo em suas carrapetas e com certeza agradava, pois os bailes estavam sempre cheios. Tive a honra de sua amizade desde jovem ainda, e o tempo só solidificou, vindo a se tornar com a Leila, um dos meus padrinhos de Casamento e se estendeu com toda a família. 

Ele foi mais um a me influenciar musicalmente, apresentando diversos artistas com seus discos importados.


 Posteriormente tive a oportunidade de fazer numa rádio pirata em Realengo um programa chamado “Bau do Gugu”, levei ele na estreia do programa e apresentava todos os sábados as 10 da manha os sucessos que marcaram época dos bailes do Grêmio. E claro fiz vários registros fotográficos dele. 

 Atividades esportivas, culturais fossem elas musicais, cênicas ou de dança, tinham espaço no GEER.

Benevenuto Rovere

Claro tiveram diversas pessoas responsáveis em trazer os artistas, mas destacamos o Beto.


 Sr. Benevenuto Rovere (o Beto) que esteve muitos anos à frente do   departamento Social, (e foi sócio do Gugu nas Equipes de Som) puxou da   memória uma lista de artistas que se apresentaram no ginásio do clube.

  ( confesso que me surpreendi com vários nomes )

     Atualmente ele é presidente do Museu de Bangu e desenvolve um trabalho   primoroso de pesquisa da região.

 As decorações, jogos de luzes, toda parte pirotécnica até a divulgação  criação do  marketing, era sua responsabilidade. 

 

Ele foi o responsável pela estratégia de entrar com o Roberto Carlos, por uma casa atrás do Clube.

 

Detalhe, até agora não encontrei nenhuma outra pessoa que tenha cedido sua casa para camarim do Rei.


ATENÇÃO JÁ POSTAMOS

SOBRE OSHOW DO REI.

Veja a história completa neste link aqui  mesmo neste blog: 

https://historia-de-realengo.blogspot.com/2011/11/o-rei-roberto-carlos-em-terras.html 



Vários conjuntos se apresentaram no clube:


 Conjuntos Aeroporto, Cry Babies, Casanova ainda com Rosana, Os Famks (que   viraram Roupa Nova), Lafayette e seu conjunto, Painel de Controle, Pholhas,   Renato  e Seus Blue Caps,  Conjunto Superbacana,  The Fevers.  (ver video abaixo)




Além de várias Orquestras como Waldir Calmon, Orquestra Tupy, Orquestra Tabajara de Severino Araújo.

Tivemos noites de serestas com Carlos Alberto, O Rei do Bolero, Jamelão, Silvio Caldas.

E grandes artistas da MPB fizeram no Grêmio apresentações marcantes: 

ABSYNTHO, A BOLHA, ÂNGELA RÔ RÔ, ALMIR GUINETO, AGEPÊ , BEBETO, BELCHIOR, BENITO DI PAULA, BIAFRA,  BLITZ, BARÃO VERMELHO, BIQUINI CAVADÃO, CAZUZA,  CAPITAL INICIAL, CAMISA DE VÊNUS, COPA 7,  ED MOTTA E CONEXÃO JAPERI, DOMINÓ, DR. SILVANA E CIA., DHEMA , DICRÓ, ELSON DO FORROGODE, EDUARDO DUSSEK, ENGENHEIROS DO HAVAÍ, FAUSTO FAWCETT E SEUS ROBÔS EFÊMEROS, GANG 90 E SUAS ABSURDETES, GUILHERME ARANTES, GERSON KING COMBO, GILBERTO GIL,

GONZAGUINHA HERVA DOCE, HANÓI HANÓI, INIMIGOS DO REI, IRA, KID ABELHA, JORGE BEN JOR, JORGE ARAGÃO, LECI BRANDÃO , LULU SANTOS, LÉO JAIME, LOBÃO, LUÍS CALDAS, MARINA LIMA, MARISA MONTE, MADE IN BRAZIL, MARCELO, NEGUINHO DA BEIJA FLOR, NENHUM DE NÓS, NOVOS BAIANOS, PLEBE RUDE, RÁDIO TÁXI, RITCHIE, ROBERTO CARLOS, RITA LEE , ROSANA, SANDRA DE SÁ, TIM MAIA, TONI TORNADO, ULTRAJE A RIGOR, TÓKIO, O TERÇO E  YAHOO, ZECA PAGODINHO, ZIZI POSSI
Jorge Ben Jor e Neguinho da Beija Flor em dias diferentes.


Teve Shows do CASINO DO CHACRINHA, DE CARLOS IMPERIAL E SUAS LEBRES....

              E as tradicionais Festas Juninas com o Concurso de Quadrilhas, Festivais de musica.

                       OS BAILES BLACK e a ONDA ROCK MARCARAM UMA GERAÇÃO


Equipes de som: Genesis Rock, Grupo AMEM, Korpus´4, Furacão 2000, Uma Mente Numa Boa, Revolução da Mente, Rick, Black Power, Petru´s, Dynamic Som, Pop Rio Discoteque, Soul Grand Prix, Cash Box, A Cova, entre outras.          

Os discjockey (DJs). Ademir Lemos, Cidinho Cambalhota e Big Boy traziam muitas novidades para as pistas.  No final da década de 80 a onda disco invadiu as pistas.


Jair Pereira

 Os bailes Blacks eram ótimos, as roupas, os sapatos de várias camadas, cada visual com estilos próprios, ousados, não era um padrão, eles criavam com diversas tendências. Mas com muita coerência, lembro que os macacões tipo de frentista de posto de gasolina, geralmente brancos, eram usado por alguns, ou jardineiras jeans, eram muito comum. como lembra Jair Pereira que também conheceu sua esposa nos bailes. 

    



O período Rock o que predominava eram as calças “Cocotas” de cós baixo. Calças Jeans, US Top, Levis e das jaquetas de franja, das camisas coloridas tipo Havaiana, calças com bocas de sino e muito coloridas, sem esquecer a calça do exército tingida de preto.

    O período da Discoteque  vieram as blusas com ombreiras, os cabelos com laque, meias soquete, e roupas com muito brilho.


O Grêmio sempre foi Esportivo.

 tinhamos em mãos  registros fotográficos, cedidas por Orlando Charuto (em memoria) desde 1958, times de Voley e Basquete, tinha equipes de Handball, Futsall, (obs: Na primeira diretoria já constava departamentos Esportivo de Futebol, Voleibol, e Basquete. 
Vários times, em quadra adversários, mas fora amigos.





 
Iceri Ferreira da Silva no Clube
 
Iceri Ferreira da Silva no Clube 
O Sr. Iceri Ferreira da Silva, Que atuou como membro do departamento Esportivo relembra que em 1997, o time de futebol de Salão do Grêmio, foi campeão da  Copa dos Bairros  promovida pelo Jornal de bairros de O GLOBO. e cedeu algumas fotos.


anos depois, em uma confraternização, 
amigos se reuniram. (eu estou atrás das lentes)



Ah! os carnavais...  

    Os carnavais, foram citados por muitos pesquisados, lembranças vivas em suas mentes, falam carinhosamente dos bailes carnavalescos e pré-carnavalescos.

foto de autor desconhecido

O Azul e Branco, o Baile do Shortinho, o das Torcidas.... As inúmeras ALAS que se organizavam de forma independente e surgiam com inúmeros componentes vestidos iguais e com uma contagiante animação.

 Ala Alegria-Alegria, Ala Bem Bolado, Ala AMEM (Alô Mocidade, Estamos em Movimento - nome criado pelo jovem Jeferson). Existiram outras alas, estas foram algumas lembradas.


foto arquivo pessoal de José Carlos Dabdab






Essas alas combinadas  davam um colorido especial ao se ver tantos jovens congregando a mesma alegria, e isso já vinha de outras décadas, como essa dos anos 60 cedida pelo amigo José Dabdab, diretamente do baú da família.



Daniela Marcondes ainda criança na folia 


De todo canto do bairro surgiam grupos fantasiados iguais, que emanavam alegria da juventude.

ALA BEM BOLADO

Thiers & Nelma Cardoso, um dos muitos casais unidos pelo Grêmio.

Eu lembro que num Carnaval a banda contratada, queria algo mais que havia assinado no contrato. E a direção chamou eu e o Helio, para conversar. Perguntando se nós nos garantiríamos em manter o público animado. Fizemos igualzinho fazíamos no varandão, exceto musicas lentas, só pancadas, marchinhas de carnaval, sambas enredo, sambas, rock, musica pop, mas tudo brasileira, misturamos tudo e deu super certo. Esquematizamos que duas bolsas cheias de discos de vinil, seriam minhas e duas dele, o que ele tocasse no Varandão, ele traria pro Salão e vice e versa, trocamos de posição umas duas vezes. Foi magico. ( Luiz Fortes)


A Família Freitas tem grande participação de seus membros.

                                                                                                                                                                               
Derinho como Ney Matogrosso e Arnaldo
O primeiro diretor de Voleibol, Sr, Antônio José de Freitas , criador da logomarca do Grêmio, vem a ser irmão de Ataliba Freitas pai do Arnaldo Freitas o Arno da Academia, uma pessoa que tem sua vida muito ligada ao clube, foi sócio, frequentou nas decads de 70,80 e 90, fez parte de vários times de futsal, Adorava fazer os concursos da academia Arnô lá, onde elegia a menina mais bonita e dava muitos prêmios, os shows performáticos do Derrinho, como Rita Lee, Ney Matogrosso,e a ressurreição de John Lenon etc. E curti muito o varandão e os carnavais, também foi lá que conheci a mãe dos meus filhos e formamos uma família linda.



Arnaldo Freitas /Arnô
Arnaldo diz ter muitas saudades dessa época, infelizmente acabaram com o clube e hoje precisamos criar uma parceria público-privada para investimento e reabertura do clube. 


Muita gente tem essa intenção mas na hora que tem que arregaçar as Mangas e trabalhar correm da responsabilidade, sempre estive a favor de reabrir a clube, porém não é fácil em função de sérios problemas que o clube tem para resolver.

Estarei sempre a vontade como voluntario para ajudar a mudar esse quadro, porém preciso de apoio

Arnaldo Freitas /Arnô daa Academia


       




  Jazz ao vivo nas segundas feiras

Ronaldo Silva - filho do Robertinho

Luiz Carlos Batera, Sidão no Baixo
 e Hellen Andrews

    O Grêmio anos antes, teve um projeto parecido com esse, e o José Russo propôs ao Benevenuto, reviver. No fim dos anos 70, Zé tinha muitos amigos músicos que nas segundas não tinham trabalho, e queriam um espaço para curtir um som com mais liberdade e rever os amigos, Gugu que primava pela qualidade sonora, preparava tudo e o público saia extasiado com tantos músicos bons e não se cobrava ingresso, passava-se o chapéu e tudo certo. Tocavam por prazer.





Passaram por lá: Robertinho Silva, Délia Fischer, Carlos Dafé, Banda Black Rio, Jamil Joanes, os  jovens Sidão Santos e Mario Grigorriwisk a americana Hellen Andrews. na foto.

Os encontros de JAZZ com a Banda Black Rio, Robertinho Silva e muitos outros, que aconteciam às segundas-feiras sob o comando do saudoso, Zé Russo, com o apoio de Gugu e Benevenuto (Beto).     

Os músicos não cobravam cache, viam curtir,  encontrar amigos e surgiram novos talentos,

Como Mario Grigorowisk (Saxofonoista da banda Celebrare desde .1994 e o Sidão Santos  baixista do Seu Jorge, desde do ano 2000. Que compôs a musica Gremio de Realengo, ve  já o vídeo.


Paulo Cesar Costa foi um dos aprecisadores destes encontros, e inspirou-se em anos depois, criar o Armazém do Jazz, coletivo cultural voltado a incentivar a musica instrumental.

No Canal do YouTube do Armazém do Jazz, encontramos registros preciosos feitos no Varandão do Grêmio nas:  Segunda instrumental




E o Clube ganhou uma composição em sua homenagem feita por SIDÃO SANTOS, que quando mais novo fez inúmeras apresentações lá.


outra versão da mesma, mas só para ver no youtube.:
  https://www.youtube.com/watch?v=4TuYRcIbjxk


 Em nossa Pesquisa também lembraram dos Shows organizados pelo TUQUINHA, com inúmeros artistas Gays, fazendo performances  de altíssimo nível.

Festivais de música e de poesia tinham espaço no ginásio o mesmo do Futebol de Salão, do Handball, do voley, do Basquete, do Judô, das aulas de dança Jazz e Contemporanea, com a Professora Dill Costa. lembrada por muitos . 

Veja a jornada da Dill posteriormente.

Intérprete de Candelária, Dill Costa lembra Malhação e fala da vida longe do Brasil | RD1 https://share.google/MthE6KKb04qKgqWwg


Aqui alguns dos depoimentos colhidos com vários ex-frequentadores:

Agradecemos com muito o carinho de todos que enviaram suas respostas, com as quais foi fundamental para a conclusão desta matéria. Muitas pessoas devem ter inúmeras historias, seria impossível colocar todas aqui.




Festival de Música no Grêmio em 1975.


E a música imitando os grandes festivais da televisão, também teve espaço no clube.

Nosso amigo Elias Lins, nos brinda com uma musica que apresentou de sua autoria, com letra e o registro fonográfico feito ao vivo na sua apresentação em 1975.

Elias Lins 
Festival de música 1975.
foto de Wagner Chagas que foi Jurado.

A luz 

A LUZ (Autor: Elias Lins)
Interpretes: Elias Lins & Antônio Rosa
Acompanhamento: Banda “SOM 7”

No peito há maldade
Na trilha, no chão
Há trevas, confronto
Procuro a razão
Destino nos passos
Eu tenho nos traços
O mundo, a visão.

Chegando ao final do ciclo vital
Estou sentindo
Chegando ao final do ciclo vital
Estou caindo
Chegando ao final do ciclo vital
Estou morrendo
Chegando ao final do ciclo vital
A LUZ – A LUZ 
A mística, a verdade
Me cura a ferida
Em contradição
As trevas da vida
No peito há bondade
Vencendo a maldade
O mundo, a visão.
Cruzando o final do ciclo vital
Estou sentindo
Cruzando o final do ciclo vital
Estou me erguendo
Cruzando o final do ciclo vital
Estou nascendo
Cruzando o final do ciclo vital

(ouça aqui)



Amizades, nasceram, romances se iniciaram e muita saudade ficou, mas ficou a certeza de terem curtido uma adolescência incrível.

Algumas carteiras que recebemos.



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E O FUTURO?

E o futuro do Grêmio? alguns perguntaram o Clube vai voltar?

Não sei, acho difícil, pois outros iguais em vários bairros diferentes também não resistiram, hoje temos mais opções de lazer, mobilidade facilitada, também tem a violência que de certa forma nos deixa atrás das grades na própria casa.

 

Mas eu defendo uma sugestão enviada por nossa amiga e seguidora Flávia Silva (filha do Gugu e Leila) de que ali se transforme em um SESC, ou SESI mas com as portas abertas para a população. Ideia sensacional!

 Espero que os nossos representantes políticos se mobilizem em pôr em prática ou isso ou algo produtivo, o que não pode é uma estrutura ótima como aquela ficar abandonada bem no centro do bairro.      Que tal um debate com a população sobre o assunto?     

Por Luiz Fortes

 

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Uma previa ao documentário ainda em produção, para ser lançado na segunda quinzena de março de 2026.

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Esta pesquisa só foi possível, com a colaboração de muitos personagens, que se dispuseram a ceder depoimentos e fotos, documentos, etc. A memória local somente desta forma pode ser preservada.

 

Em ordem alfabética:  

Adelia Sophia Olivia – Afonso Celso de Paula –  Alberto Carlos – Alvimar Hernandez Andreia Bastinhos - Arnaldo Gomes Freitas - Benevenuto Rovere - Carla Simone Lucas - Catia Cilene - Cezar Augusto - Claudia Castellano - Claudia Cristina - Daniela Marcondes - Denise  Mihessem - Denise Bruna Espinosa - Dylson Pontes - Elaine Vital Reis - Elizabeth Carlos - Elizete Villanova - Elias Lins - Flávia de Souza e Silva - Flavia Madeira de Araujo - Gisele Gottqtroy - Haydee Miranda -  - Heleno Getulio – Iceri Ferreira da Silva - Isaac da Silva - Ivan Mihesem - Jades Léo - Jorge Torres - José Armando Vargas Silveira - José Carlos Dabdab – Leila Mihessem - Leila dos Santos Souza da Silva – Jovino Santos Neto - Leila Mihessem – Lucia Monteiro -   Lucia Pinudo Ferreira - Luiz AlbertoLopes - Luiz Albino dos Santos - Luiz Antonio Villela Teixeira - Luiz Carlos Bastos Fortes - Luiz Cesar Monteiro de Araújo - Manoel Gomes- Marcelo Ferreira Vaz - Marcia Regina Gottqtroy - Marcia Simões - Marcia Viana - Marcos de Moraes - Maria da Graça

Souto Moreira - Maria do Carmo de Figueiredo Verissimo - Mario  Antonio Gomes Maia – Mauricio Mihessem - Maximiano Ribeiro da Cruz - Messias de Souza Pinto - Miguel Lyra Quitete - Monica França - Paulo Mauricio - Paulo Moraes de Lima - Raulino Machado - Robson de Oliveira - Rodrigo Tavares -Rosana Alves – Rose Camacho - Sergio Lopes da Costa - Solane de souza Silva - Sonia Dalmoneki - Sonia Maria da Silva - Sulamita Souza Vaz - Valeria Borges Saraiça - Vania Silva - Wagner Chagas - Wagner F. Cordeiro - Wagner Passos - Wanderlea de Almeida - Wladimir Lima Soares




ESTA POSTAGEM TEVE O OFERECIMENTO CULTURAL DE  AÇOUGUE AMA.
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obs:  Essa postagem é uma homenagem póstuma a: Luiz Augusto (Gugu) , José Russo, e Júlio Cesar (Pinguim)

sexta-feira, 30 de março de 2012

Tocando a campainha, na casa de Hermeto Pascoal

Tocando a campainha, na casa de Hermeto Pascoal.
             por Jovino

Era um domingo ensolarado em novembro de 1977. Eu e meu amigo de infância Jacinto olhamos para o portão fechado à nossa frente, ali na Rua Vitor Guisard, no Bairro Jabour, perto de Senador Camará, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Eu perguntei a ele:

— Será que eu toco a campainha? Ele me garantiu que ali mesmo, naquela casa por detrás do muro alto, morava o Hermeto Pascoal. Ele havia chegado de São Paulo há um ano. Sem mais titubear, apertei o botão.
  foto de : Luzia
Grob dos Santos

Eu estava ali por curiosidade pura. Recém-chegado há duas semanas de Montreal, no Canadá, onde eu tinha passado 3 anos estudando biologia e tocando música, eu agora me encontrava de volta ao meu bairro de nascença, Realengo, ali pertinho do Jabour, a caminho de um curso de pós-graduação na Amazônia. Minha curiosidade era grande. Em 1967, aos 13 anos, eu vibrei com Edu Lobo e sua linda composição “Ponteio” que venceu o festival da Record, sem me dar conta que aquela flauta que parecia um pássaro cantando por detrás das vozes era tocada por um albino baixinho sem pescoço, escondido detrás dos outros instrumentos. Eu havia lido uma reportagem da revista O Bondinho de 1972, antes de ir estudar fora, com uma matéria sobre aquela figura exótica e quixotesca mesmo antes de ouvir sua música, o que só veio a acontecer em 1973, no Teatro Fonte da Saudade, na Lagoa. Assisti a outro show do Hermeto no Museu de Arte Moderna do Rio em 1975, enquanto passava férias e mais uma vez, saí de lá maravilhado com o som, mas confuso por não saber colocar o que eu tinha ouvido dentro de nenhuma categoria conhecida. De volta ao Canadá, conheci outras facetas do trabalho do Hermeto nas gravações que ele fez com Airto Moreira e Flora Purim. Por isso, de volta ao Brasil, em 1977, eu me encontrava ali, prestes a tocar a campainha da casa dele, e meio nervoso, sem saber o que lhe dizer.

Juntei a coragem e apertei o botão. Dona Ilza Pascoal, esposa do Hermeto e mãe de seus seis filhos, abriu o portão:

— Pois não… Eu gaguejei:

— O-O-O Hermeto está? Eu sou músico e gostaria de conhecê-lo. Ela me conduziu até a sala, e de repente eu me vi sozinho ali, sentado no sofá, enquanto Hermeto Pascoal, de short e sem camisa, estava tocando num piano elétrico com fones de ouvido, seus olhinhos fechados. Tudo que eu ouvia era o batucar das teclas. Uns 20 minutos se passaram, o que me pareceu uma eternidade. Eu já estava pensando como ia sair de fininho, sem que ele notasse, quando ele abriu os olhos, sorriu e me cumprimentou:

— Tudo bem? Comecei a me apresentar. Tudo o que eu queria era lhe dizer da minha admiração pelo seu trabalho. Falei do grupo com quem eu tinha tocado piano no Canadá, Mélange, e disse que estava ali no Rio de passagem, a caminho de um curso de pós-graduação na Amazônia. Será que o Hermeto conheceria um lugar para se tocar um pouco, onde rolava uma jam session? Eu mostrei a ele uma fita cassette do Mélange, e ele me mostrou uma do novo disco dele, o “Missa dos Escravos”. Tocou a faixa-título, com o som dos porcos e aqueles acordes muito estranhos para mim. Ele então me perguntou:

— Você sabe ler partituras, acordes cifrados? Eu menti:

— Ah, sim, claro…

— Olha, eu tenho um Grupo, e estou querendo tocar mais flauta e saxofone, precisava de um pianista para essa sexta-feira para um show no Morro da Urca, você toparia fazer comigo?
Show no Sesc Pompéia em 18.02.2005.
 Foto: Adriana Elias
   Isso não era bem o que eu esperava, pois eu nunca pensei que ele fosse me convidar para tocar. Eu retruquei que não poderia assumir nenhum compromisso, devido ao meu curso, tinha uma prova para a bolsa de estudos em 2 semanas, etc… Ele disse:

 — Escuta, se você quiser tocar, pode ser sem nenhum compromisso, me avise quando tiver que ir para a escola e fica tudo bem. Ele então puxou uma folha de papel com uns acordes escritos. Lembro claramente do tema, “Campinas”, uma linda balada que ele havia composto há pouco tempo. Ele me pediu para sentar ao piano elétrico e tocar os acordes. E ali mesmo, sem saber formar nem a metade deles, ambos nos certificamos que eu realmente não lia nada. Minha experiência musical incluía umas aulas de piano que eu tive com a Dona Jupyra quando tinha 12 anos, mas desde então, tudo que eu tocava era de ouvido, músicas copiadas do rádio ou de discos, e minhas composições, que eu tocava de cor. Hermeto deu um sorriso matreiro, e disse:

— É, acho que você precisa ensaiar um pouco… pode vir aqui amanhã de tarde? Os meninos do Grupo vêm ensaiar, e você vai aprender com eles. E lá fui eu pra casa, sem saber direito onde tinha amarrado meu burro. Claro que eu não poderia entrar de novo num conjunto musical, tinha outros planos traçados, uma vida dedicada à pesquisa científica dentro da biologia, onde a música figurava apenas como um hobby, uma distração. Eu havia provado de um pouco da vida de músico no Canadá, e não achava que meu caminho era viver dentro dos ambientes enfumaçados dos clubes, tocando para gente que não estava lá para ouvir música. E agora estava dividido, porque dentro de mim, algo queria muito mesmo tocar, aprender e compartilhar aquele som.

Segunda-feira, 14h, lá estava eu de volta ao Jabour. Conheci Itiberê Zwarg, baixista e Peninha, baterista. Hermeto me apresentou a eles e começamos a ensaiar, uma variedade de temas: um baião, um frevo, aquela balada que eu não conseguia tocar. Lá pelo meio da tarde apareceu um percussionista que se chamava Pelé. Ele havia conhecido o Hermeto durante a gravação do disco “Orós” do Fagner, e foi convidado para aparecer no ensaio. Hermeto disse a ele:

— Campeão, esse negócio de ser Pelé não dá, você vai se chamar Pernambuco. Pelé/Pernambuco havia trazido um berimbau e umas tumbadoras, mas o Hermeto, que sempre chamava todos de “Campeão”, disse:

— Olha, vende esses negócios, porque você vai ser um percussionista diferente. Nada de tumbadora ou berimbau, já tem muita gente tocando isso. Amanhã você vai no Mercado de Madureira e arranja uns chocalhos de bode, umas conchas e umas panelas. Vamos criar uns instrumentos novos.

E assim a semana passou, o Grupo ensaiando, tocando o mesmo tema 20, 30 vezes. Eu, meio apressado, achava que estava bom, que poderíamos ensaiar outros temas, ou então improvisar, que era o que eu no fundo queria, mas o Hermeto insistia que ainda tinha muito o que melhorar. No segundo dia de ensaio apareceu o Cacau, saxofonista e flautista que tocava com o Grupo há algum tempo. Eu nunca tinha tocado num grupo assim antes, em que as partes eram definidas e ensaiadas múltiplas vezes, enquanto o Campeão (nós o tratávamos pelo mesmo nome que ele nos tratava) mudava uma nota aqui, uma batida ali, e todos reescreviam suas partes na hora. Muitas vezes apenas a “cozinha” (piano, baixo e bateria) ensaiava o tema inteiro, sem os sopros. Eu, que havia me acostumado a tocar sempre com outros músicos cobrindo meus erros, de repente passei a me sentir muito vulnerável. Nesta nova situação musical, o baterista nunca marcava o tempo; ele tocava de uma forma mais livre, colorindo as frases, o que me deixava meio inseguro, sem entender direito como fazer com todas essas vozes coexistindo. Hermeto assumia o piano e tocava, às vezes improvisando durante 15 ou 20 minutos com a banda, o que me deixava louco de vontade de imitá-lo. Um dia perguntei a ele:

— Você pode me ensinar técnica, exercícios para tocar assim rápido e limpo? Ele sorriu:

— Não, técnica não existe separada da música. Esses temas que vocês estão ensaiando exigem técnica, e por isso temos que repetir muitas vezes, para que a mente e as mãos possam aprender naturalmente. Mas se você quiser estudar apenas a técnica, você vai virar um robô, tocando um monte de escalas e frases feitas de forma automática.

Por fim chegou a tal sexta-feira. O show era na Concha Verde, que era um anfiteatro ao ar livre no alto do Morro da Urca. Para chegar lá era preciso tomar o bondinho do Pão de Açúcar, o cartão postal mais conhecido do Rio de Janeiro. Eu cheguei lá cedo, muito feliz em ver o local apinhado de gente, com pessoas encarapitadas em cima das árvores para ficar mais perto do palco. Eu nunca tinha participado como músico de um evento assim, e estava ansioso para mostrar tudo aquilo que havíamos ensaiado durante a semana. Peguntei ao Hermeto qual seria a primeira música da noite, e ele respondeu:

Jovino & Hermeto at the Blue Note in 1991 (photo by Tim Geaney)
— Não sei, vamos entrar no palco e criar um lance. Eu fiquei confuso:

— Como assim? E os temas que a banda ensaiou esses dias todos?

— Hoje e agora não é uma boa hora para aqueles temas. Vamos tocar outros. E de repente lá estávamos nós no palco, criando levadas, improvisos e solos que nunca tinham acontecido antes. Outros músicos apareceram: Mauro Senise, José Carlos Bigorna, Márcio Montarroyos, de repente havia um naipe de sopros no palco tocando coisas que eu nunca havia ouvido. Numa certa hora Hermeto me manda entrar no palco e fazer um solo de clavinete, um teclado com cordas. E eu perguntei:

— Que tipo de solo você quer que eu faça? Meio soul, funk, rock?

— Nada disso – quebre tudo, toque o que você sentir na hora. Eu fui, sem saber direito o que era “quebrar tudo” e assim que eu comecei a tocar, ele parou a banda inteira e todos saíram do palco, me deixando sozinho com centenas de pessoas ouvindo. Foi ali naquele momento que eu me dei conta que uma transformação estava acontecendo, uma coisa meio misteriosa que eu não conseguia entender, mas que era uma delícia. Claro que ter as pessoas aplaudindo era bom, mas a satisfação maior era a de encontrar naquele momento uma resposta intuitiva em mim para um desafio que envolvia a mente, o corpo e o coração, tudo junto. Toquei sem pensar em frases pré-construídas, de uma forma tal que os espaços entre as notas se tornaram tão ou mais importantes que as notas.

Ao final do concerto, todos estávamos exaustos e felizes, e o Hermeto me perguntou:

— E então, gostou?

— Claro, adorei…

— Bicho, se você quiser, sábado que vem temos um outro show em São Paulo. Quer fazer? E eu, já imaginando o que poderia acontecer, respondi:



— Eu gostaria, Campeão, mas nesse dia eu tenho que fazer a prova para minha bolsa de estudos aqui no Rio, dura o dia todo…

— Que horas é a prova?

— das 7 às 16h.

— Pronto! Nosso show é às 21h em S. Paulo. Você faz sua prova, pega a Ponte Aérea e chega lá no Ginásio da Portuguesa a tempo, vamos te esperar… tem uma passagem te esperando no aeroporto.

E como tinha de ser, eu fiz a prova no Rio, e peguei o avião pra Sampa e um táxi para o local do show. Cheguei na Portuguesa e estava acontecendo um tipo de festival, a Clementina de Jesus e Xangô da Mangueira estavam cantando, e lá atrás do palco, o Hermeto e o resto da banda. Fiquei feliz de rever o pessoal, e o Hermeto me cumprimentou:

— Está pronto?

— Estou, Campeão.

— Então vamos nessa. O concerto foi totalmente diferente do que aconteceu no Rio, o público em São Paulo ouvia de uma forma muito diferente. Foi a primeira vez na vida em que eu percebi que cada nota que eu tocava ressoava em alguém lá na platéia, e voltava para mim com uma vibração. Tudo o que a banda tocava era amplificado não pelos alto-falantes, mas pelo povo que estava ali bebendo daquele som. E eu vi como o Hermeto se alimentava daquela vibração. Naquela época ele tocava uma flauta com captador e uma caixa de efeitos que ele podia manipular, achando sons de microfonia e distorções, que antes só com Jimi Hendrix eu havia ouvido. Ali, naquele momento, eu entendi o porquê do apelido de “Bruxo” que o Hermeto tinha. A flauta era uma varinha de condão, e ele a usava de uma forma natural, sem maneirismos, tocando e apontando para o amplificador, usando a microfonia como uma melodia. Ouvi naquele concerto outros temas que nunca havia conhecido, inclusive a linda “Aquela Valsa”, que o Mauro Senise tocou de sax soprano. Eu não toquei o piano o tempo todo; várias vezes o Hermeto corria e me enxotava do teclado, dizendo:

— Vá pegar uma percussão e fique ali ao lado do Pernambuco, mas sempre de olho em mim. Eu ia, e enquanto tocava um triângulo ou caxixis, observava como ele era capaz de pegar um certo ritmo ou estilo e injetar uma coisa nova, uma nova tonalidade, até que a maré se estabilizava outra vez, e ele me dava um sinal para retornar:

— Agora fique tocando assim, mas não deixe a peteca cair de novo!

Eu, que nem sabia que a peteca tinha caído, achava que estava tudo bem, mas ele estava ouvindo tudo, e com firmeza e carinho, corrigia meus muitos erros e comentava depois:

— Olha, eu às vezes grito e pareço meio grosseiro no palco, mas o som está rolando, e o som é sagrado. Não ache que eu estou com raiva, estou cuidando do som. A maneira carinhosa com que ele tratava todos do Grupo deixava isso bem claro, mas ele nunca deixava passar um segundo em que as peças daquele quebra-cabeça complexo estivessem fora do lugar, sem que ele interviesse para ajustar um ou outro detalhe.

Em São Paulo, passei a conhecer o lado estradeiro do Hermeto. Em casa no Jabour, ele nunca saía, ficava em casa vendo futebol e tocando, mas nas viagens ele se tornava aquele personagem que os índios americanos chamam de “Coiote”, o brincalhão esperto, o coringa multicolorido que desafia, desacata e desafia tudo que estivesse na frente do Som. Na manhã seguinte ao show da Portuguesa, eu fui ao seu quarto de hotel e ele me disse:

— Ouça esse choro lindo que eu escrevi: e tocou sentado na cama um chorinho de 3 partes no sax soprano, e eu pensando: Como nunca ouvi esse choro antes? Ao fim, ele disse:

— Escrevi nada, inventei isso agora mesmo, improvisei a música inteira. Isso para mim passou a definir a essência Hermética. O improviso tão estruturado que parece escrito, e a escrita tão fluida que parece fluir da chama do improviso free.

Outra coisa que me atraiu muito no Hermeto era a fibra nordestina. Como neto de sergipano, cresci ouvindo o linguajar e a maneira nordestina de pensar, falar e agir, e o Hermeto representava o arquétipo do “cabra da peste”, o vaqueiro do agreste que dribla o clima, a distância, as limitações físicas e tudo o mais que vier ao encontro da sua rota traçada pelo destino. Hermeto me lembrava um peão montado num cavalo chucro, correndo no meio da caatinga espinhosa atrás da rês desgarrada da melodia, usando a rede da harmonia e o tropel da zabumba para alcançar seu objetivo.

Com o fim do ano de 1977, tudo aconteceu ao mesmo tempo para mim: a descoberta de um universo musical de cuja existência eu nem suspeitava, junto com a aprovação para o curso de mestrado em ecologia no Instituto de Pesquisas da Amazônia. Uma escolha devia ser feita, e logo.

Uma trilha que se bifurca na mata, sem sinais ou setas apontando o caminho certo. Deveria eu seguir os estudos iniciados, explorando com a mente as muitas conexões entre a natureza e os seres vivos, ou pular de cabeça nesta aventura de músico, aprendiz do feiticeiro com varinha de condão de prata, e muitos truques escondidos na cartola branda da sua cabeleira? Foram umas semanas de muita reflexão e insegurança. Aos poucos me dei conta que naquele momento eu era um passageiro na estação ferroviária, vendo dois trens passando, aparentemente indo em direções contrárias. E ali naquele instante, pude entrever o espaço entre os vagões, como uma janela entreaberta. Essa era minha chance de saltar, confiar na intuição e encarar o desafio da música, sobre a qual eu sabia nada ou quase nada, deixando a linha reta da ciência, uma estrada asfaltada onde eu sabia como avançar, pela corrente do rio da música, cheia de surpresas, com suas enchentes e secas. Nadar ou afundar…

Tive o apoio fundamental de meus pais, que nunca se opuseram à minha decisão. Lembro claramente quando disse a meu pai que iria recusar a bolsa do INPA para ficar morando em Realengo, ensaiando todos os dias com uma trupe mambembe. Ele me disse calmamente:

— A vida é sua, tome sua decisão e siga em frente. Só não me venha dizer daqui a seis meses que quer ser biólogo outra vez, certo?

E esse foi o começo de um novo capítulo, um aprendizado que me pediu quinze anos de minha vida, e que me deu em troca a chave do Universo da Música.

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Jovino Santos Neto.

www.jovisan.net                 www.facebook.com/JovinoSantosNeto)
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Este é um capitulo , do futuro livro que está sendo escrito pelo próprio músico.

Complemento: Seus pais José Jovino dos Santos, (farmacêutico que por muitos anos administrou uma farmácia na Av. Santa Cruz em frente à Travessa Rodrigues Marques e Maria José Campos dos Santos, (Dona Zezé) ). Em breve falaremos mais desta família que serviu de inspiração para a readaptação da série “A Grande Família“
fonte: site do próprio: Jovino: Piano, teclados, flauta, compositor, arranjador, produtor.

Criado em Realengo, Zona Oeste do Rio de Janeiro, Jovino iniciou sua carreira musical aos 16 anos, tocando
composições originais no Vacancy Group (ex- Os Birutas) em shows nos subúrbios cariocas. A partir de 1974 passou 3 anos em Montreal, no Canadá, onde foi membro fundador do conjunto Mèlange. Ao retornar ao Brasil em 1977, foi convidado por Hermeto Pascoal para integrar seu grupo.
Durante 15 anos, Jovino colaborou em tempo integral com Hermeto, como pianista, flautista, co-produtor de 7 discos e responsável pelas excursões internacionais do grupo. Criou um arquivo para documentar e preservar as milhares de composições de Hermeto.
 
Em 1993 Jovino mudou-se para Seattle, nos Estados Unidos, para estudar regência e desenvolver sua carreira como compositor, pianista e arranjador. Entre 95 e 97 tocou com Airto Moreira e Flora Purim em discos e turnês por todo o mundo. Formou o Jovino Santos Neto Quarteto em 94 com músicos de Seattle, e lançou o discos Caboclo  em 1997, Ao Vivo em Olympia  em 2000 e Canto do Rio, indicado ao Grammy Latino de 2004 em 2003, todos pelo selo Liquid City Records. No mesmo ano gravou Serenata em duo com o bandolinista Mike Marshall pela Adventure Music, onde lançou em 2006 Roda Carioca, seu trabalho mais recente, que foi indicado também ao Grammy Latino de 2006 como melhor disco de jazz latino do nao.
 
Jovino, também editou 32 partituras de Hermeto Pascoal publicadas no livro Tudo é Som pela Universal Edition.
Jovino Santos Neto é professor de piano e composição no Cornish College of the Arts em Seattle, Presidente da filial Noroeste da Academia Nacional de Gravação (NARAS) e afiliado à IAJE (
Associaçãol Internacionall dos Educadores de Jazz).