Mostrando postagens com marcador #carnaval. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador #carnaval. Mostrar todas as postagens

sábado, 20 de dezembro de 2025

Grêmio de Realengo Memórias Afetivas


MEMÓRIAS AFETIVAS DO GRÊMIO.





O História de Realengo, vem resgatar a Memória Afetiva dos frequentadores do GEER.

 ( Grêmio Esportivo Estudantil de Realengo )




Várias gerações passaram e interagiram entre si, pais filhos e netos se misturavam enquanto suas portas estavam abertas, inclusive alguns casais se conheceram lá dentro vindo a se casarem.


                                                    Os Mihessem 

Começo com a Família Mihessem, que desde de sua fundação, tem ligações profundas com o clube. Pois o patriarca Mihessem Sleiman Mihessem foi um comerciante respeitável em  Realengo e ajudou nos primeiros dias do clube tendo o seu titulo  de sócio proprietário nº 1, herdado pelo seu filho Ivan. Foi um ativo colaborador da diretoria e tinha o clube como seu segundo lar.

Mihessem Pai, frequentou o Clube desde a sua fundação. e seus filhos o seguiram. 

Leila Mihessem hoje uma senhora com uma memória maravilhosa, nos brinda com inúmeras lembranças de sua trajetória com uma  riqueza de detalhes desde quando ainda era criança nos anos 50 e seu pai um membro ativo na diretoria do clube. Leila nos recebeu em sua casa, em meio a muitas fotos das quais ia comentando cada uma e comentando casos, lembra também que o seu pai era tão fascinado pelo clube que até deixava a família em segundo plano algumas vezes lamenta.  


Unidos através do Clube 
 Seu irmão Ivan Mihessem (herdou do pai o titulo de Sócio proprietário nº 001) relata que também foi assíduo   frequentador, tem saudades do clube e ficou muito   feliz em  poder dividir suas memorias. Pois foi lá   que  conheceu Denise o  amor da sua vida. Denise   que já o paquerava, aceitou o  pedido de namoro e   vieram a se casar, seus filhos também  curtiram de   alguma forma esse espaço multicultural. 

(nas fotos  acima (1) Ivan orgulhoso de suas carteiras e ao lado (2) o casamento duradouro).

Também recebemos relatos de Mauricio Mihessem (na foto (1) acima com o neto Caio) atualmente morando em Brasília, mas fez questão de relatar que foi o sócio número 23 e que jogou Vôlei, Basquete, Futsal. Ia praticamente todos os dias, pois os bailes de domingo, os carnavais as festas juninas eram imperdíveis. No show do Roberto Carlos, nosso pai era presidente do Conselho Deliberativo, e uma prima nossa da Síria estava no Brasil e adorou o Show do Rei.


Os Silva : Luiz Augusto o Gugu e Família


Os desfiles de Misses eram uma atração à parte como relata outra  “Leila”  que desde os anos 50, frequentava o clube, e o Gugu também,  e rolou uma química, que rendeu uma família linda e ela relata  momentos marcantes como sua eleição de Princesa da Primavera em  1966  e do dia que recebeu um LP (log play)   Gafieira Universal autografado por todos os         membros da Banda Black Rio em 1978  (guardado   com carinho até hoje), numa das  inúmeras   apresentações deles no Jazz promovido pelo Zé   Russo e pelo Gugu (seu marido) e pelo Beto (   Benevenuto) , também jogou Vôlei e participou de teatro e assistiu muitos artistas,   e lembra emocionada de ouvir MoonLigth Seranade com a  Orquestra Tabajara de   Severino Araújo. E nos carnavais organizava e participava da ALA  Mini-Turma.


        
Flávia Silva
    Já sua filha Flavia curtiu os anos 70,80 e 90, primeiro nas aulas de Ballet     e Jazz com a 
 profª. Dill Costa, curtia patinação e a discotecas promovidas  pelo seu pai (Gugu) e seus quinze anos no clube que lembra com carinho. E os carnavais que desde criança frequentava ( foto ao lado) e ressalta que os     encontros de jazz eram maravilhosos.

E é dela uma sugestão que o blog abraça com carinho. Porque não instalar um SESC no local?


  

           Os bailes aos domingos

Luiz Augusto da Silva “o Gugu
é lembrado por muitos em nossa pesquisa, como referência nos alegres bailes de domingos. Era exigente com a qualidade do som, que antes de mais nada primava pela qualidade, antes dos bailes, checava todas as caixas, para conferir o funcionamento e a qualidade. Suas equipes, que tiveram vários nomes, Grupo Amém, Genesis Rock, Korpus  4. E a “Bem me Quer” (fixa no Varandão tocando só MPB ) 

As domingueiras: Sem dúvida alguma foram os bailes de domingo que mais marcaram a memória dos frequentadores, a luz negra, o globo espelhado...as luzes estroboscópios, painéis de Neon, painéis com cores cítricas. Tudo era muito colorido. Era a época ainda que se dançava juntinho, era o momento de estar ao pé do ouvido, com o seu ou sua paquera, de rostinho coladinho, beijos roubados... o paredão...ah o paredão e os “piços”, claro tinha alguns NÃO! Quando perguntávamos quer dançar? Ai restava como diria Tim Maia, segurar a criança.


Tive o Prazer de fazer parte desta época.

    O Varandão – Equipe Bem me quer

Um projeto criado pelo Beto que percebeu que o público vinha aumentando o interesse pela MPB e criou este espaço aconchegante no clube e deixou o Helinho como responsável pelas carrapetas teve também outros.

Eu (Luiz Fortes) tive o prazer de fazer parte desta equipe, inicialmente era só um curtidor, já tinha passado da fase de dançar até suar no salão(rs). E quando a loja de discos que eu trabalhava, sofreu um incêndio e encerrou as atividades, o GUGU me chamou pra ser um dos discotecário do  Varandão de 1981 até o início de  1984 (tive que sair pois fui trabalhar a noite e fins de semana) , tocando somente MPB. (ouça neste link uma playlist  ESPECIAL VARANDÃO das músicas que toquei nessa época).

O prefixo e sufixo era com a música “A noite vai ser boa” grupo Brylho. Muito bom.

Quando um artista da MPB vinha ao clube, na hora da apresentação desligávamos tudo e íamos ao ginásio assistir, e como era da equipe  estive várias vezes junto aos artistas, lembro que a Paula Toller (bem nova) era do grupo  Kid Abelha e os Abóboras Selvagens ela vinha subindo a escada do palco e se assustou com o grande publico e me perguntou eles não jogam ovos não? Repondi: Nuca aconteceu, o público aqui adora suas musicas.

Acho que não a convenci, pois subiu ainda meio tensa...kk


Minha amizade com Gugu e Leila, fizeram deles meus padrinhos de casamento 

Gugu tinha um faro apurado para música, fosse ela de qualquer gênero, trazia pros bailes seu gosto pessoal e juntava com o que a massa gostava, misturava tudo em suas carrapetas e com certeza agradava, pois os bailes estavam sempre cheios. Tive a honra de sua amizade desde jovem ainda, e o tempo só solidificou, vindo a se tornar com a Leila, um dos meus padrinhos de Casamento e se estendeu com toda a família. 

Ele foi mais um a me influenciar musicalmente, apresentando diversos artistas com seus discos importados.


 Posteriormente tive a oportunidade de fazer numa rádio pirata em Realengo um programa chamado “Bau do Gugu”, levei ele na estreia do programa e apresentava todos os sábados as 10 da manha os sucessos que marcaram época dos bailes do Grêmio. E claro fiz vários registros fotográficos dele. 

 Atividades esportivas, culturais fossem elas musicais, cênicas ou de dança, tinham espaço no GEER.

Benevenuto Rovere

Claro tiveram diversas pessoas responsáveis em trazer os artistas, mas destacamos o Beto.


 Sr. Benevenuto Rovere (o Beto) que esteve muitos anos à frente do   departamento Social, (e foi sócio do Gugu nas Equipes de Som) puxou da   memória uma lista de artistas que se apresentaram no ginásio do clube.

  ( confesso que me surpreendi com vários nomes )

     Atualmente ele é presidente do Museu de Bangu e desenvolve um trabalho   primoroso de pesquisa da região.

 As decorações, jogos de luzes, toda parte pirotécnica até a divulgação  criação do  marketing, era sua responsabilidade. 

 

Ele foi o responsável pela estratégia de entrar com o Roberto Carlos, por uma casa atrás do Clube.

 

Detalhe, até agora não encontrei nenhuma outra pessoa que tenha cedido sua casa para camarim do Rei.


ATENÇÃO JÁ POSTAMOS

SOBRE OSHOW DO REI.

Veja a história completa neste link aqui  mesmo neste blog: 

https://historia-de-realengo.blogspot.com/2011/11/o-rei-roberto-carlos-em-terras.html 



Vários conjuntos se apresentaram no clube:


 Conjuntos Aeroporto, Cry Babies, Casanova ainda com Rosana, Os Famks (que   viraram Roupa Nova), Lafayette e seu conjunto, Painel de Controle, Pholhas,   Renato  e Seus Blue Caps,  Conjunto Superbacana,  The Fevers.  (ver video abaixo)




Além de várias Orquestras como Waldir Calmon, Orquestra Tupy, Orquestra Tabajara de Severino Araújo.

Tivemos noites de serestas com Carlos Alberto, O Rei do Bolero, Jamelão, Silvio Caldas.

E grandes artistas da MPB fizeram no Grêmio apresentações marcantes: 

ABSYNTHO, A BOLHA, ÂNGELA RÔ RÔ, ALMIR GUINETO, AGEPÊ , BEBETO, BELCHIOR, BENITO DI PAULA, BIAFRA,  BLITZ, BARÃO VERMELHO, BIQUINI CAVADÃO, CAZUZA,  CAPITAL INICIAL, CAMISA DE VÊNUS, COPA 7,  ED MOTTA E CONEXÃO JAPERI, DOMINÓ, DR. SILVANA E CIA., DHEMA , DICRÓ, ELSON DO FORROGODE, EDUARDO DUSSEK, ENGENHEIROS DO HAVAÍ, FAUSTO FAWCETT E SEUS ROBÔS EFÊMEROS, GANG 90 E SUAS ABSURDETES, GUILHERME ARANTES, GERSON KING COMBO, GILBERTO GIL,

GONZAGUINHA HERVA DOCE, HANÓI HANÓI, INIMIGOS DO REI, IRA, KID ABELHA, JORGE BEN JOR, JORGE ARAGÃO, LECI BRANDÃO , LULU SANTOS, LÉO JAIME, LOBÃO, LUÍS CALDAS, MARINA LIMA, MARISA MONTE, MADE IN BRAZIL, MARCELO, NEGUINHO DA BEIJA FLOR, NENHUM DE NÓS, NOVOS BAIANOS, PLEBE RUDE, RÁDIO TÁXI, RITCHIE, ROBERTO CARLOS, RITA LEE , ROSANA, SANDRA DE SÁ, TIM MAIA, TONI TORNADO, ULTRAJE A RIGOR, TÓKIO, O TERÇO E  YAHOO, ZECA PAGODINHO, ZIZI POSSI
Jorge Ben Jor e Neguinho da Beija Flor em dias diferentes.


Teve Shows do CASINO DO CHACRINHA, DE CARLOS IMPERIAL E SUAS LEBRES....

              E as tradicionais Festas Juninas com o Concurso de Quadrilhas, Festivais de musica.

                       OS BAILES BLACK e a ONDA ROCK MARCARAM UMA GERAÇÃO


Equipes de som: Genesis Rock, Grupo AMEM, Korpus´4, Furacão 2000, Uma Mente Numa Boa, Revolução da Mente, Rick, Black Power, Petru´s, Dynamic Som, Pop Rio Discoteque, Soul Grand Prix, Cash Box, A Cova, entre outras.          

Os discjockey (DJs). Ademir Lemos, Cidinho Cambalhota e Big Boy traziam muitas novidades para as pistas.  No final da década de 80 a onda disco invadiu as pistas.


Jair Pereira

 Os bailes Blacks eram ótimos, as roupas, os sapatos de várias camadas, cada visual com estilos próprios, ousados, não era um padrão, eles criavam com diversas tendências. Mas com muita coerência, lembro que os macacões tipo de frentista de posto de gasolina, geralmente brancos, eram usado por alguns, ou jardineiras jeans, eram muito comum. como lembra Jair Pereira que também conheceu sua esposa nos bailes. 

    



O período Rock o que predominava eram as calças “Cocotas” de cós baixo. Calças Jeans, US Top, Levis e das jaquetas de franja, das camisas coloridas tipo Havaiana, calças com bocas de sino e muito coloridas, sem esquecer a calça do exército tingida de preto.

    O período da Discoteque  vieram as blusas com ombreiras, os cabelos com laque, meias soquete, e roupas com muito brilho.


O Grêmio sempre foi Esportivo.

 tinhamos em mãos  registros fotográficos, cedidas por Orlando Charuto (em memoria) desde 1958, times de Voley e Basquete, tinha equipes de Handball, Futsall, (obs: Na primeira diretoria já constava departamentos Esportivo de Futebol, Voleibol, e Basquete. 
Vários times, em quadra adversários, mas fora amigos.





 
Iceri Ferreira da Silva no Clube
 
Iceri Ferreira da Silva no Clube 
O Sr. Iceri Ferreira da Silva, Que atuou como membro do departamento Esportivo relembra que em 1997, o time de futebol de Salão do Grêmio, foi campeão da  Copa dos Bairros  promovida pelo Jornal de bairros de O GLOBO. e cedeu algumas fotos.


anos depois, em uma confraternização, 
amigos se reuniram. (eu estou atrás das lentes)



Ah! os carnavais...  

    Os carnavais, foram citados por muitos pesquisados, lembranças vivas em suas mentes, falam carinhosamente dos bailes carnavalescos e pré-carnavalescos.

foto de autor desconhecido

O Azul e Branco, o Baile do Shortinho, o das Torcidas.... As inúmeras ALAS que se organizavam de forma independente e surgiam com inúmeros componentes vestidos iguais e com uma contagiante animação.

 Ala Alegria-Alegria, Ala Bem Bolado, Ala AMEM (Alô Mocidade, Estamos em Movimento - nome criado pelo jovem Jeferson). Existiram outras alas, estas foram algumas lembradas.


foto arquivo pessoal de José Carlos Dabdab






Essas alas combinadas  davam um colorido especial ao se ver tantos jovens congregando a mesma alegria, e isso já vinha de outras décadas, como essa dos anos 60 cedida pelo amigo José Dabdab, diretamente do baú da família.



Daniela Marcondes ainda criança na folia 


De todo canto do bairro surgiam grupos fantasiados iguais, que emanavam alegria da juventude.

ALA BEM BOLADO

Thiers & Nelma Cardoso, um dos muitos casais unidos pelo Grêmio.

Eu lembro que num Carnaval a banda contratada, queria algo mais que havia assinado no contrato. E a direção chamou eu e o Helio, para conversar. Perguntando se nós nos garantiríamos em manter o público animado. Fizemos igualzinho fazíamos no varandão, exceto musicas lentas, só pancadas, marchinhas de carnaval, sambas enredo, sambas, rock, musica pop, mas tudo brasileira, misturamos tudo e deu super certo. Esquematizamos que duas bolsas cheias de discos de vinil, seriam minhas e duas dele, o que ele tocasse no Varandão, ele traria pro Salão e vice e versa, trocamos de posição umas duas vezes. Foi magico. ( Luiz Fortes)


A Família Freitas tem grande participação de seus membros.

                                                                                                                                                                               
Derinho como Ney Matogrosso e Arnaldo
O primeiro diretor de Voleibol, Sr, Antônio José de Freitas , criador da logomarca do Grêmio, vem a ser irmão de Ataliba Freitas pai do Arnaldo Freitas o Arno da Academia, uma pessoa que tem sua vida muito ligada ao clube, foi sócio, frequentou nas decads de 70,80 e 90, fez parte de vários times de futsal, Adorava fazer os concursos da academia Arnô lá, onde elegia a menina mais bonita e dava muitos prêmios, os shows performáticos do Derrinho, como Rita Lee, Ney Matogrosso,e a ressurreição de John Lenon etc. E curti muito o varandão e os carnavais, também foi lá que conheci a mãe dos meus filhos e formamos uma família linda.



Arnaldo Freitas /Arnô
Arnaldo diz ter muitas saudades dessa época, infelizmente acabaram com o clube e hoje precisamos criar uma parceria público-privada para investimento e reabertura do clube. 


Muita gente tem essa intenção mas na hora que tem que arregaçar as Mangas e trabalhar correm da responsabilidade, sempre estive a favor de reabrir a clube, porém não é fácil em função de sérios problemas que o clube tem para resolver.

Estarei sempre a vontade como voluntario para ajudar a mudar esse quadro, porém preciso de apoio

Arnaldo Freitas /Arnô daa Academia


       




  Jazz ao vivo nas segundas feiras

Ronaldo Silva - filho do Robertinho

Luiz Carlos Batera, Sidão no Baixo
 e Hellen Andrews

    O Grêmio anos antes, teve um projeto parecido com esse, e o José Russo propôs ao Benevenuto, reviver. No fim dos anos 70, Zé tinha muitos amigos músicos que nas segundas não tinham trabalho, e queriam um espaço para curtir um som com mais liberdade e rever os amigos, Gugu que primava pela qualidade sonora, preparava tudo e o público saia extasiado com tantos músicos bons e não se cobrava ingresso, passava-se o chapéu e tudo certo. Tocavam por prazer.





Passaram por lá: Robertinho Silva, Délia Fischer, Carlos Dafé, Banda Black Rio, Jamil Joanes, os  jovens Sidão Santos e Mario Grigorriwisk a americana Hellen Andrews. na foto.

Os encontros de JAZZ com a Banda Black Rio, Robertinho Silva e muitos outros, que aconteciam às segundas-feiras sob o comando do saudoso, Zé Russo, com o apoio de Gugu e Benevenuto (Beto).     

Os músicos não cobravam cache, viam curtir,  encontrar amigos e surgiram novos talentos,

Como Mario Grigorowisk (Saxofonoista da banda Celebrare desde .1994 e o Sidão Santos  baixista do Seu Jorge, desde do ano 2000. Que compôs a musica Gremio de Realengo, ve  já o vídeo.


Paulo Cesar Costa foi um dos aprecisadores destes encontros, e inspirou-se em anos depois, criar o Armazém do Jazz, coletivo cultural voltado a incentivar a musica instrumental.

No Canal do YouTube do Armazém do Jazz, encontramos registros preciosos feitos no Varandão do Grêmio nas:  Segunda instrumental




E o Clube ganhou uma composição em sua homenagem feita por SIDÃO SANTOS, que quando mais novo fez inúmeras apresentações lá.


outra versão da mesma, mas só para ver no youtube.:
  https://www.youtube.com/watch?v=4TuYRcIbjxk


 Em nossa Pesquisa também lembraram dos Shows organizados pelo TUQUINHA, com inúmeros artistas Gays, fazendo performances  de altíssimo nível.

Festivais de música e de poesia tinham espaço no ginásio o mesmo do Futebol de Salão, do Handball, do voley, do Basquete, do Judô, das aulas de dança Jazz e Contemporanea, com a Professora Dill Costa. lembrada por muitos . 

Veja a jornada da Dill posteriormente.

Intérprete de Candelária, Dill Costa lembra Malhação e fala da vida longe do Brasil | RD1 https://share.google/MthE6KKb04qKgqWwg


Aqui alguns dos depoimentos colhidos com vários ex-frequentadores:

Agradecemos com muito o carinho de todos que enviaram suas respostas, com as quais foi fundamental para a conclusão desta matéria. Muitas pessoas devem ter inúmeras historias, seria impossível colocar todas aqui.




Festival de Música no Grêmio em 1975.


E a música imitando os grandes festivais da televisão, também teve espaço no clube.

Nosso amigo Elias Lins, nos brinda com uma musica que apresentou de sua autoria, com letra e o registro fonográfico feito ao vivo na sua apresentação em 1975.

Elias Lins 
Festival de música 1975.
foto de Wagner Chagas que foi Jurado.

A luz 

A LUZ (Autor: Elias Lins)
Interpretes: Elias Lins & Antônio Rosa
Acompanhamento: Banda “SOM 7”

No peito há maldade
Na trilha, no chão
Há trevas, confronto
Procuro a razão
Destino nos passos
Eu tenho nos traços
O mundo, a visão.

Chegando ao final do ciclo vital
Estou sentindo
Chegando ao final do ciclo vital
Estou caindo
Chegando ao final do ciclo vital
Estou morrendo
Chegando ao final do ciclo vital
A LUZ – A LUZ 
A mística, a verdade
Me cura a ferida
Em contradição
As trevas da vida
No peito há bondade
Vencendo a maldade
O mundo, a visão.
Cruzando o final do ciclo vital
Estou sentindo
Cruzando o final do ciclo vital
Estou me erguendo
Cruzando o final do ciclo vital
Estou nascendo
Cruzando o final do ciclo vital

(ouça aqui)



Amizades, nasceram, romances se iniciaram e muita saudade ficou, mas ficou a certeza de terem curtido uma adolescência incrível.

Algumas carteiras que recebemos.



 ____________________________________________________________

 

E O FUTURO?

E o futuro do Grêmio? alguns perguntaram o Clube vai voltar?

Não sei, acho difícil, pois outros iguais em vários bairros diferentes também não resistiram, hoje temos mais opções de lazer, mobilidade facilitada, também tem a violência que de certa forma nos deixa atrás das grades na própria casa.

 

Mas eu defendo uma sugestão enviada por nossa amiga e seguidora Flávia Silva (filha do Gugu e Leila) de que ali se transforme em um SESC, ou SESI mas com as portas abertas para a população. Ideia sensacional!

 Espero que os nossos representantes políticos se mobilizem em pôr em prática ou isso ou algo produtivo, o que não pode é uma estrutura ótima como aquela ficar abandonada bem no centro do bairro.      Que tal um debate com a população sobre o assunto?     

Por Luiz Fortes

 

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

 

Uma previa ao documentário ainda em produção, para ser lançado na segunda quinzena de março de 2026.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxx


Esta pesquisa só foi possível, com a colaboração de muitos personagens, que se dispuseram a ceder depoimentos e fotos, documentos, etc. A memória local somente desta forma pode ser preservada.

 

Em ordem alfabética:  

Adelia Sophia Olivia – Afonso Celso de Paula –  Alberto Carlos – Alvimar Hernandez Andreia Bastinhos - Arnaldo Gomes Freitas - Benevenuto Rovere - Carla Simone Lucas - Catia Cilene - Cezar Augusto - Claudia Castellano - Claudia Cristina - Daniela Marcondes - Denise  Mihessem - Denise Bruna Espinosa - Dylson Pontes - Elaine Vital Reis - Elizabeth Carlos - Elizete Villanova - Elias Lins - Flávia de Souza e Silva - Flavia Madeira de Araujo - Gisele Gottqtroy - Haydee Miranda -  - Heleno Getulio – Iceri Ferreira da Silva - Isaac da Silva - Ivan Mihesem - Jades Léo - Jorge Torres - José Armando Vargas Silveira - José Carlos Dabdab – Leila Mihessem - Leila dos Santos Souza da Silva – Jovino Santos Neto - Leila Mihessem – Lucia Monteiro -   Lucia Pinudo Ferreira - Luiz AlbertoLopes - Luiz Albino dos Santos - Luiz Antonio Villela Teixeira - Luiz Carlos Bastos Fortes - Luiz Cesar Monteiro de Araújo - Manoel Gomes- Marcelo Ferreira Vaz - Marcia Regina Gottqtroy - Marcia Simões - Marcia Viana - Marcos de Moraes - Maria da Graça

Souto Moreira - Maria do Carmo de Figueiredo Verissimo - Mario  Antonio Gomes Maia – Mauricio Mihessem - Maximiano Ribeiro da Cruz - Messias de Souza Pinto - Miguel Lyra Quitete - Monica França - Paulo Mauricio - Paulo Moraes de Lima - Raulino Machado - Robson de Oliveira - Rodrigo Tavares -Rosana Alves – Rose Camacho - Sergio Lopes da Costa - Solane de souza Silva - Sonia Dalmoneki - Sonia Maria da Silva - Sulamita Souza Vaz - Valeria Borges Saraiça - Vania Silva - Wagner Chagas - Wagner F. Cordeiro - Wagner Passos - Wanderlea de Almeida - Wladimir Lima Soares




ESTA POSTAGEM TEVE O OFERECIMENTO CULTURAL DE  AÇOUGUE AMA.
RUA DO IMPERADOR 450 LOJA D - REALENGO


---------------------------------
OBS: Seu comentário aqui abaixo é muito importante.
Se gostou do nosso trabalho e deseja colaborar com ao menos R$ 1,00 seremos gratos.
pix.:  pro.realengo@gmail.com

ou encomende sua camiseta por R$ 35,00  - obs:  se for de fora do bairro, haverá acréscimo do frete

link para encomendar clique :

obs:  Essa postagem é uma homenagem póstuma a: Luiz Augusto (Gugu) , José Russo, e Júlio Cesar (Pinguim)

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Seu Tião, um homem simples mas marcante para quem o conheceu.

 

Sebastião da Silva Fortes
16/12/1925 - 23/10/1983


 Minha amiga de infância Sônia Maria, constantemente me desafiava cobrando para escrever sobre meu pai, sempre relutei, pois seria difícil falar de uma pessoa que se admira e idolatra não me sentia bem, mas após muitas insistências joguei a tarefa para ela. Pedi que escrevesse um texto, daí eu complementaria.

Desde já agradeço a todos que colaboraram

                                                                                __________________XXX_____________________



Tião um Artista Anônimo

                                          por prof. Sonia Maria 

Sonia Maria 
 Numa tarde destas de quarentena veio um pouco das lembranças da minha infância aqui no Bairro de Realengo.

 Eu morava com a minha família próximo à antiga Rua Oliveira Braga, hoje Rua Prof. Carlos Wenceslau. E lá morava o senhor Sebastião da Silva Fortes, o seu Tião como era chamado por todos que o conhecia. Seu Tião morava com sua esposa Zilda e seus dois filhos, Júlio e Luiz. Nosso querido administrador do Pró Realengo, o Luiz Fortes.

Um eterno brincalhão. Martelo
 talhadeira e Serrote pra cortar o
 bolo e a esposa entrava na dele
     O Luiz herdou do seu pai o amor pelo bairro de Realengo e o gosto musical. O Júlio herdou um
pouco da sua arte, costurando as famosas calças Jeans, pois muita gente o procurava pra ele dar um jeitinho nas bainhas e na boca sino das mesmas. Enfim, ele transformava as calças jeans como ninguém. E a Dona Zilda mãe e uma mulher maravilhosa...

   Seu Tião era muito amado pela criançada e por todos que o conhecia pelas suas historias e bom humor.

   Luiz teve a sorte de ter um pai que era um artista plástico e amado por muita gente.  O seu dom artístico era nato e nem ele e nem as pessoas que admiravam seu trabalho na época se davam conta da importância do seu Tião no bairro.

25 anos de casados, tem bolo?
 corto com Serrote.
    Eu e minhas irmãs gostávamos de vê-lo costurando, criando na sua incrível e simples máquina de costura. Nela a magia acontecia... Fazia botas e bolsas de couro, fantasias, e etc...

 Ele era um apaixonado pelo Carnaval e pelas Festas Juninas. Nestas festas ele criava fantasia









s e

enfeites inéditos. E todos ficavam extasiados com tanta criação. Seu Tião passava muita emoção e amor em tudo que fazia.

Criava fantasias de mascarados jamais vistas e fazia fantasias em duplicata para enganar os amigos, pois achávamos que era ele que estava ali mascarado e de repente ele aparecia sem fantasia. A criançada saía correndo... Pregava cada peça!!!!

E enfeitava as festas juninas com estrelas e balões feitos por ele.

Como todo artista seu Tião era um sonhador e muito amigo das crianças. Nós gostávamos de ouvir suas histórias de balões que iriam subir tal dia e hora e ficávamos ali esperando na hora marcada de olho nos céus de Realengo. E não é que subia mesmo??? Na época os balões eram muito bem elaborados e artísticos. Lindoooos!!!!!

   É bom dizer que nesta época não era proibido soltar balões.

   E o senhor Tião ficava feliz ao ver todos admirados com suas criações e  por seu trabalho que ele fazia por prazer.

   Enfim, pra que venha mais Tiões, que resolvi trazer um pouco da história deste homem simples que viveu e amou o bairro de Realengo. E para que os leitores deste blog conheçam a história deste artista anônimo, coincidentemente pai do criador deste espaço.

   Enfim, na minha concepção e eu acredito que aqueles que o conheceram concordam comigo, que o seu Tião faz parte da história de Realengo.

                             ---------------------------------XXX----------------------------

Como disse nã queria escrever sozinho, então me ocorreu de também pedir a parentes e amigos que conviveram com ele para darem suas visões.


A coisa foi longe demais, desculpem pelo tamanho do texto, e olha que não peguei depoimentos de muitos, que poderão nos comentários abaixo se expressarem.

----------------------------------------



Arte na madeira (10 cm de altura.) 
do Luiz

Lúcia Fortes Fialho

O que eu me lembro do "Tio-Tião" é que ele era uma pessoa incrivelmente maravilhosa, com muito bom  gosto musical.
Que ele e meu pai (Alcides) se entendiam muito bem com as óperas e com as músicas clássicas. Mas confesso que manualmente devido morarmos longe, não sei muito, mas lembro das máscaras de carnaval maravilhosas, cada uma mais bonita que a outra.

Não conheci outras aptidões, mas como tio ele era MA-RA-VI-LHO-SO!!!





Delcius Ojeda Fortes

Zilda e Tião rodeados de sobrinhos
Delcius, Claudia, Lucia, Luiza e Vilma e Andrea
Falar sobre meu tio Sebastião, mas conhecido como “Tio-Tião”, lembro-me dele na infância era pequeno ainda, um cara de chinelo no pé, bermuda, camisa aberta no peito, um cara tranquilo, o semblante dele era de uma pessoa boa, nunca vi ele brabo, sempre tinha uma brincadeira um sorriso. Uma pessoa do bem. Como eu era muito pequeno e os meus pais se mudaram do Rio, eu perdi alguma coisa da minha vida do convívio com Tio-Tião mas o que lembro da minha infância é isso.

Também na sapataria, trabalhando, colocando sola em sapatos, eu ficava olhando para ele, e sempre tinha um sorriso bonito, um cara do bem.

Zebrinha adaptada posteriormente.

Aí como eu disse por conta de meu pai (Vinícius Fortes) ser da Marinha éramos sempre transferidos. Aí perdi um bom período de convivência e quando voltei a conviver com ele era a mesma pessoa, só que envelhecido aquele jeitão o mesmo jeito com chinelo e ficava conversando com ele. Ele lendo, comendo e falando comigo (acho que o almoço levava uns quarenta minutos a uma hora. Tem um cara que faz a mesma coisa, come do mesmo jeito que ele [não sei quem é?])! Também acompanhei ele nos últimos dias, estive lá no hospital é isso, só lembranças boas.

Um cara tranquilo, um cara bom em paz. Falava com todo mundo, as pessoas passavam na rua, oi Tião, bom dia Tião, com vai Tião, sempre respondia com um sorriso.

Lembro de um balão ele me disse esse vai subir e desaparecer um outro no formato de despertador...e muitos outros, uma festa, realmente o Tião marcou história em Realengo.

Um cara bom!


Luizinho (eu) Tião e Zilda.

Por Claudia Fortes.

 Falar do "Tio Tião " é incrível.

Eu o peguei ainda quando bebia pisava no meu pé e minha mãe não deixava brigar com ele. Como aquele que fazia o melhor Carnaval, a melhor Festa Junina, era capaz de tirar a roupa do corpo pra ajudar alguém. Aquele que adotou alguém e não fez diferença do seu filho de sangue.

Aquele que me fez sorrir e quando Deus o levou eu estive lá, mas me limitei a ficar distante por respeito.

Aquele que era tão importante que sua irmã Arlete se foi na mesma data que ele se foi.

Sinto muito a sua falta e seria muito FELIZ se meus filhos o conhecessem, mas o que me conforta é saber que lá de cima ele olha por nós.


 Por Roseneide Camacho

Seu Tião!!!! Que pessoa doce, culta, de uma sabedoria que só pessoas com o coração carregado de bons sentimentos pode ter.

Quantas tardes passamos conversando no quintal da sua casa, o que falávamos, de tudo não vou

A boneca dançante resite ao tempo

lembrar, pois o tempo se encarrega de ficar com algumas de nossas lembranças. Mas lembro que falávamos das flores, da Mariápolis, dos trabalhos do grupo S.I.M. e música não podia faltar.

Ah! Seu Tião, eu só tenho a agradecer pelo imenso carinho que permeou o nosso encontro. Eu o vejo neste momento na minha memória, com um leve sorriso no rosto, que maravilha. Quantas coisas boas seu Tião deixou, depois de muito tempo me alegro ao falar dele. Seu Tião é 10!!!

Por Antonio Zuzarte

 Falar sobre seu Sebastião Fortes é muito   gratificante, pelo fato de eu também ter   custado a entender que Seu Sebastião e Dona   Zilda não eram meus tios biológicos, porque   eu achava que sim, devido àquela convivência   com a nossa família, meu avô seu João   Zuzarte nosso saudoso avô, era um apego   muito grande com seu pai, pra mim realmente   o seu pai era filho biológico de nossa avó, eu   custei a entender essa ficha demorou a cair.   Depois eu comecei a puxar de minha mãe Nilda e tia Maria como eles chegaram até agente e começaram a contar que sua mãe era colega de escola de minhas tias, e graças a isso começaram a frequentar uma a casa da outra, sua mãe abraçou minha avó, minha avó abraçou sua mãe, sua me ajudou a cuidar da minha mãe que era a caçula da turma e enfim depois conheceu seu pai e dai seu pai passou a integrar a família. O nosso avô era seu pai pra tudo, chama Tião, cadê Tião, às vezes ele ficava   esperando seu pai pra tomar café com ele.
Juntos com a Familia Zuzarte :
Aparecida, Iza, Maria, Nilda
 Elizenita
, faz um café que Tião tá chegando   ai! Então lembro que sentava os dois na mesa   e  ficavam de prosa tomando um café   quentinho.  E minha mãe era bem pequena e   teve a visita da imagem peregrina da Santa   Nossa Senhora de Fatima de Portugal , meu   avô tocava tuba na banda, meu pai pegou   minha mãe colocou no ombro na corcunda   para ela assistir. Ela contava isso muito feliz.   Teu pai estava sempre lá puxando um som, ,   ajeitando sempre alguma coisa e meu avô   pegava no pé do teu pai o tempo todo e ambos   gostavam era aquela coisa de amor a primeira   vista e pra sempre. Teu pai ficou muito triste quando o Velho Zuzarte faleceu, segundo minhas tias, Tião dizia que tinha perdido um pai, a coisa era muito forte. Eu também tive uma experiências com teu pai, minha primeira caixa acústica foi ele quem fez pra mim, eu queria botar um sonzinho melhor na vitrola e ele providenciou.

Teve as situações que o Julinho passou, lembro que os levei. Teu pai muito mal quando deixou-o internado numa casa de saúde em Jacarepaguá e eu vi teu pai de coração partido, pois teve que ficar lá um pouco e enfim a gente veio trocando ideia no carro, ele com aquele choro calado dele que você conhece melhor que ninguém. E minha avó ficou muito chateada quando teu pai faleceu, “Perdi um filho”. Falar do seu Tião é só coisa boa sempre atento, chegando junto. Até eu ficava esperando pra tomar o cafezinho da tarde. Foi uma pessoa muito querida, e quando eu falei que vc estava colhendo depoimentos elas ficaram até um pouco emocionadas., lembrar um monte de coisa que nem dá pra colocar neste relato. Ele marcou deixou muita saudade até hoje os dois, foram criados como irmãos realente parte da família. No natal estávamos sempre juntos, vovó ficava esperando ele chegar, se não chegasse, mandava chamar... enfim com certeza ele tem o Galardão dele lá tanto ele quanto sua mãe deixaram uma lembrança muito boa. Com essa família que era praticamente uma só.

Por Flávio da Costa Terzi 

Sr. Sebastião, conhecido por todos como "Seu Tião", uma fala calma e paciente, de bem com a vida, encarava a vida com simplicidade, e sabia divertir-se e aos outros, e o ápice dessa diversão era no carnaval desfilar nos blocos de sujos em Realengo com seus enormes bonecos.

Nilsa Augusta fantasiada
(arquivo pessoal)

Por Nilsa Augusta (ex vizinha)

Sr Tião sempre nos alegrou com sua arte e agora se eterniza na história de Realengo

 Na foto que cedi para esta postagem usando uma fantasia emprestada por ele e que brinquei no carnaval da Av Santa Cruz seguindo um bloco de rua)


É incrível como papai continua vivo na memória de quem o conheceu.

 Por Luiz Carlos Bastos Fortes

Sem ordem cronológica:

UNIÃO e PATERNIDADE.

Zilda e Tião.    

   Meus pais se conheceram ainda crianças nas salas de aula da escola Nicarágua, quando ele    ficava puxando as tranças de sua futura esposa. Depois de casados e gestações frustradas e trágicas, o destino trouxe uma criança até a porta, então Júlio César Bastos Fortes foi adotado em consenso e oficialmente registrado, um neguinho verdadeiro reinava no lar dos Fortes. Deu muita dor de cabeça ao velho, mas era uma missão e cumpriu da melhor forma.

E quatro anos depois vinga Luiz Carlos (eu mesmo) que deveria ser chamado segundo velha Zilda Bastos Fortes: "José Carlos", nascido pelas mãos da parteira Dona Mariinha e  tendo tia Del' Carmen de ajudante, ouviam Tio Vinícius Fortes gritar, corta com dois palmos. (Será que influencia??)


O REGISTRO: No dia seguinte saíram abraçados, alegres e sorridentes meu pai Sebastião da Silva Fortes e seu cunhado, Tio Nilo Oliveira em direção ao cartório mas no caminho encontraram um bar... alguns goles e brindes pelo neguinho nascido (era pardo, mas me chamava de "Neguinho" até a adolescência), continuaram e encontraram amigos numa birosca, mais brindes e agua que passarinho não bebe pela goela abaixo..

Finalmente depois de cambalearem e tropeçaram algumas vezes, chegaram ao cartório. 

Julio Cesar , Zilda e Luiz
E ....esqueceram o nome.... João? Antônio? Entreolharam-se - O escrivão tentou ajudar: Tinha outro nome composto?... -Os dois lembram, Carlos, mas na frente tinha outro.. ?? ...Calma aí, vou lembrar insistiu Tião.

Entre muitas variáveis uma sugestão do escrivão soou bem: Luiz Carlos... Isso mesmo,  registra aí, decreta seu Tião! Felizes retornam, certamente com algumas paradas (e agora mostrando a certidão), esvaziaram outros copos.


A NOTICIA:  Sofia, Sofia...(que era como ele chamava carinhosamente a minha mãe). Mas velha Zilda ralha com os dois,  falem baixo, pois o José tá dormindo... (eles não se deram conta) e seu Tião todo proza comunica, agora tá no papel, mostrando a certidão (já um pouco amassada) Luiz Carlos tá registrado!

Quem é Luiz Carlos??? Meu filho é José... (Por alguns dias o clima certamente foi pesado... se ela tinha feito alguma promessa pra São José, deu ruim, mas minha mãe não guardava rancor de nada.)




A INFANCIA

O menino Tião
em Santissimo
.
Com as Irmãs Nilsa, Jurema e Arlete
: Meu pai filho de Antônio e Margarida Fortes, irmão caçula de Nilsa, Arlete, Jurema e Vinicius Fortes foi criado em Santíssimo mas ainda menino veio para o Realengo, andava de trem (fazia entregas pra minha avó) e me contou que não sabia ler, esticava o pescoço pra ver as fotos nos jornais do passageiro ao lado. Um dia um deles perguntou alto pra todo mundo ouvir o quê estava escrito? ...O menino Tião, não soube responder... Mas doeu lá no fundo, pois dai em diante decidiu não passar essa vergonha novamente.

Aprendeu e lia de tudo, aprendi a gostar de ler com ele, eram gibis, livros, histórias de "faroeste" , comprávamos ou trocávamos 3/1 nas feiras de Realengo, um outro tio o Rubens Lima , nos dava depois de ler, seus exemplares da "Seleções  Read Digest" da qual era assinante e com essa leitura estávamos sempre atualizados com o mundo, mesmo ainda não tendo TV. Lembro que lá em casa tinha um importante livro e que sempre insistia para consultarmos era um dicionário (ele chamava de pai dos burros).



Tinha a mão boa para plantas.   
 
Meu pai sempre me contou de um filme sobre um pescador e um dia achou o livro que contava esta historia e me deu de presente. “ O Velho e o Mar de Ernest Heminghway“ e mantive a trtadição e também dei ao seu neto Pedro Laport Fortes o  mesmo livro.

Amava esportes, mas não tínhamos TV ainda, mas os amigos, (e como ele tinha amigos) deixavam ele assistir sua paixão, o "boxe", entendia, vibrava, assistíamos na casa de dona Deolinda  , pertinho do colégio Souza Lima, voltávamos tarde da noite...ele vinha feliz, também era fã de corridas de carros assistíamos F1 torcendo pro Fittipaldi, depois Piquet, e um tempo depois (quando a TV não passava só o rádio transmitia - era paixão!) ouvimos que um moleque chamado Airton, estava dando show nas categorias de base e certamente iria longe.


Religiosidade:
Era Católico fervoroso, membro dos "Congregados Marianos", mas numa procissão de rua, ele estava carregando o andor de NSa. Senhora da Conceição e uma chuva despencou de repente, não ficou um fiel pra contar a história até o Padre foi pra baixo da marquise. Meu pai bradou: Povo sem fé... Daí em diante era a igreja lá e ele aqui.... Mas mesmo deixando de ser praticante, anos depois cultivou uma grande amizade com o padre Lessa e com as freiras, as quais se utilizavam dos seus serviços diversificados. Lembro que tínhamos um quadro lindo em casa de São Jorge, por dentro tinha uma luz que era acesa a noite, Lindo...lembro também que ele disse ter visto um milagre atrás do altar da Igreja de Santana (no centro do Rio). ...eu tenho fortes razões para acreditar.


LIÇÕES DIÁRIAS: Papai era cativante, não sei explicar... Incrível nada o aborrecia, eu era pequenino caminhávamos de mãos dadas, e se ele tropeçava (ou martelasse o dedo) dava graças a Deus. Eu arregalava os olhos de espanto, um dia perguntei porquê agradece?

- Agradeço pois tenho pé para dar topada, agradeço por não estar numa cadeira de rodas ou de muletas. Eles sim, não podem tropeçar. Então me sinto abençoado (umas das lições que carrego até hoje comigo). "Pequenas coisas que parecem ser banais devem ser valorizadas."

Adorava jogar e assistir futebol.
Meu pai não era de nos bater, era adepto do dialogo mas mantia atrás da porta um chicote (assustador) confeccionado por ele mesmo, que se eu senti na pele foi no máximo duas vezes.




Adorava futebol torcedor do América, jogava bem e dizia ser bom goleiro, mas só "calibrado", chegou a fazer teste num grande clube (não lembro qual) mas sem poder tomar uma branquinha, não pegou nada.


Esse vício, junto com o cigarro (contribuíram para sua partida para outros mundos) que começou ainda criança pois adorava balões, fazia de todos os tipos, e para acender as buchas, gastava muitos fósforos, e com o cigarro na boca acendia mais rapidamente (chegou a fumar 4 maços por dia). Trabalhava num depósito de bebidas da Antártica ao lado de nossa casa, mas uma complicação no coração obrigou a se aposentar por "invalidez". A respeito dos balões ficou alguns anos sem fazer ou solta-los, estava triste alguém próximo espalhou que um balão feito por ele no formato de caixão funerário (com duas buchas) foi agouro pois dias depois sua mãe Margarida vem a falecer num acidente, pisoteada por vários cavalos no bairro de Campo Grande, (ela ia levar o meu irmão Júlio, mas não era a hora dele) demorou a se recuperar confessou um dia (mas nao fez mais caixões). Gostava realmente de soltar balões com hora marcada avisava antes, tal hora vou soltar um balão relógio com hora marcada (três horas) lembro de um na copa de 1970, na hora que ia começar o jogo do Brasil x Itália, afirmava, ele vai voar baixo e cair longe (estudava a bucha com tal precisão que ela não queimava rápido nem forte.) Seus balões com diversos formatos eram facilmente reconhecidos.

 

Bola da copa de 50
MUITAS HABILIDADES: Essa aposentadoria precoce, lhe proporcionou tempo para suas múltiplas habilidades, .batiam no portão: Seu Tião preciso podar uma árvore, ele ia,... meu ferro de passar está ruim, ele resolvia, também era estofador (o que lhe garantia uma renda melhor para casa) costurava com precisão e ensinou a profissão ao meu irmão, no quartel aprendeu a profissão de sapateiro, confeccionava também bolas de futebol (a mão), tinha orgulho de dizer que fez bolas pra Copa de 50,  para a fabrica SUPERBALL, mas não impediu que minha mãe trabalhasse fora, e também se aposentar feliz da vida.

Os vizinhos sempre pediam para ele ajudar seus filhos para confeccionar maquetes para os trabalhos escolares, e eram elaboradas ele não se contentava com o simples. As meninas lhe chamavam de tio antes disso virar moda. E como ele tinha sobrinhas. Tratava como filhas pois sempre quis ter uma e não foi agraciado.


Piranhão no carnaval eu com a boneca dançante

Meus brinquedos a grande maioria eram confeccionados por ele,  e eu com a boneca dançantecarrinhos de rolimã, pião, patinete, futebol de pregos, petecas, skate (um dos primeiros da Zona Oeste, viu numa revista e fez igualzinho), pipas ele fazia de todos os tamanhos e formatos. Pipas que cabiam na palma da mão ou outras do seu tamanho com rabos de panos. Decorava festas juninas, fazia caricatura em cocos secos, esculpia em pedaços de madeira, bolava alegorias ou fantasias exóticas amava carnaval, o normal não lhe atraia.

Velho Tião não teve estudos ou diplomas, aprendeu tudo com a vida, grande observador se arriscava em várias empreitadas e não me recordo de reclamações de um serviço mal feito. Era um pai presente pois aposentado tinha tempo livre pra nós, jogava bola conosco, soltava pipa, ensinava jogos e brincadeiras nas ruas, fazia perna de pau onde víamos todos do alto, telefones de lata, costurava panos compridos enfiava serragem e um arame que de noite na penumbra parecia uma cobra...ah,ah como assustamos muita gente uma vez ganhou uma máquina de filmes manual que passava a noite para alegria da criançada. Na casa dos fundos morava minha prima Claudia Fortes, que ganhou um balanço só seu dentro da varanda.


Bonecão no Bloco das Piranhas 
Bloco das Piranhas: Quando uns sobrinhos postiços, (Jõao, Leoncio, Leó e Tuquinha todos “da Matta”) estavam fundando e organizando um bloco de Carnaval no bairro, eles pediram para ele criar algo para ir à frente do bloco. Era o bloco das Piranhas de Realengo que teve o primeiro "Bonecão de Carnaval" claro que ele deve ter visto em algum lugar só adaptou com as bonecas de peitos amostra (fez duas). Uma loja chamada "Bazar da Moda" encomendou (para fazer marketing), também um bonecão, mas como Papai Noel, imaginem um bom velhinho de três metros de altura pelas ruas de Realengo, era alegria da criançada.

Obs: Essas armações eram feitas de varetas de bambu e arames, e duraram bastante tempo, e posteriormente eu adaptei com outros personagens.

 

Minha mãe visivelmente estava mais feliz com seu homem sóbrio.

 Os vícios foram largados, o cigarro tardiamente, mas o alcoolismo eu ainda era criança, voltávamos de um passeio de Sepetiba e no ônibus minha mãe sentou comigo ao colo, e meu irmão, sentou ao lado. Mamãe pediu: Dê o lugar pro seu pai. - E Júlio retrucou "Eu não mandei ele beber". Todos ouviram, daquele dia em diante meu pai nunca mais bebeu. Entrou pro AA, colecionava as fichas coloridas o seu orgulho, cada côr era um ano, etapas conquistadas, se sentia um vencedor. Tinha tamanha segurança que chegou a trabalhar num Bar na esquina de casa do "Seu Nestor". E resistia a tentação, fazia caricaturas em coco e dentro colocava aguardente os clientes amavam sua arte e saboreavam o mel.


Tinha uma capacidade de desenhar Incrível, adorava música, de todos os ritmos, bolero, forro, samba, samba de breque e o pop, etc, adorava cantar ou assobiar no chuveiro, e hoje eu analiso, como ele com tão pouco estudo ou cultura, ouvia óperas, músicas clássicas e parecia entender e muito... como? eu não sei. Ganhamos do tio Alcides Fialho uma vitrola num móvel enorme, pois comprou uma menor, o radio captava até estações estrangeiras. Assistia domingos pela manhã na TV, concertos para a juventude, comprava discos de óperas e orquestras, anos depois meu irmão trouxe outros sons para casa, ampliou seu gosto musical que já era eclético, ouvíamos de tudo em casa do Clássico ao Rock, uma democracia.

letra do Dudu - Mais que um Amigo


Um de seus últimos trabalhos foi criar cenários e adereços para apresentações teatrais do grupo S.I.M e recebeu uma bela  homenagem póstuma do professor Dudu, que compôs (na missa de sétimo dia) uma versão de "Don't Cry For Me Argentina" da peça Evita e que virou " Mais que um amigo". Nós do grupo S.I.M. tínhamos um espetáculo na semana seguinte com ingressos vendidos antecipadamente e o teatro não tinha mais datas livres para remarcamos. Foi uma noite de muita emoção.  a letra está ao lado.




Seu-Tião brincava dizendo: Pode me chamar de De Millus o amigo do peito

Um ser de luz, obrigado por tudo.

 

abaixo um escrito meu quase um mês apos sua partida.

fragmentos sobre meu pai

Pequenas lembranças

# Me disse que fez uma fantasia de caveira só pra sair de noite, os ossos eram pintados com tinta florescente, imaginem seu efeito a noite.

# Fazia doces e sucos deliciosos.

# Gostava de bailes do Grêmio, onde era sócio e conselheiro. Quando fiz 14 anos começou a me levar junto, (menor só acompanhado eu era alto enganava o juizado) assistimos, Jamelão, Orquestra Tabajara, Copa 7, e os conjuntos de covers de sucessos estrangeiros: The Fevers, Os Famks (que viraram Roupa Nova), os Pholhas, Aeroporto, Casanova (a cronner depois ficou famosa "Rosana" e muitos outros.

# quando podia($), comprávamos discos no centro ou em Madureira, até fazer um serviço de carpintaria numa nova loja de discos em Realengo e que depois veio a ser também meu primeiro emprego.(acredito que ele deu uma força)

# prestou serviços diversos ao Dr. Manoel Gomes (médico referência no bairro na época), tanto no consultório quanto na sua casa e  com o qual tinha boa amizade

E por fim. Em seu velório eu e minha prima Luíza Fialho, conversamos e concordarmos que um ser alegre como ele foi, não merecia uma despedida triste. Todos ao redor concordamos, e decidimos fazer um brinde em homenagem agradecendo por termos tido o privilégio da sua convivência. E assim é feito com todos nossos parentes que partem.

Fim.

obs: as fotos anteriormente preto e brancas, foram colorizadas por Paulo Gotelip um ex vizinho nosso na infancia. obrigado.